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REUTERS/Ricardo Arduengo
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Haiti precisa apostar em turismo e agricultura para tirar população da pobreza crônica

Por enquanto, a única atração turística no Haiti é o porto de Labadee, que é alugado por uma empresa de cruzeiros e isolado do restante do país

Noah Smith* / Bloomberg, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2021 | 05h00

Para sair da pobreza crônica, o Haiti deve copiar seus vizinhos mais bem-sucedidos, como a Jamaica e a República Dominicana. Agora mesmo, o Haiti é o país mais pobre do Hemisfério Ocidental.

Pior ainda, segundo algumas medições, os padrões de vida dos haitianos não aumentaram desde 1950, quando ele estava no mesmo nível de Jamaica e República Dominicana. Este é um dos fracassos econômicos mais sombrios do mundo moderno, e reverter a situação deve ser uma missão urgente para os haitianos, assim como para os EUA e outros vizinhos da região. O que fará o Haiti menos pobre? As respostas prováveis são turismo e melhor agricultura.

A maioria dos países insulares do Caribe prosperam no turismo. Para a Jamaica, a contribuição total da indústria é estimada em 31% do PIB. Mesmo para a República Dominicana, com um mix industrial bem diversificado de manufatura e serviços, o turismo sustenta 16,3% da economia.

Por enquanto, a única atração turística no Haiti é o porto de Labadee, que é alugado por uma empresa de cruzeiros e isolado do restante do país. A maior razão pela qual os turistas não visitam as belas praias do Haiti é o medo. O país deve se concentrar na criação de pequenos oásis de segurança onde os turistas possam ter certeza de que não serão sequestrados ou roubados. É assim que República Dominicana e Jamaica têm indústrias de turismo bem-sucedidas, apesar de suas altas taxas de criminalidade.

O Haiti também pode construir um aeroporto perto dos centros turísticos. Isso e os hotéis exigirão financiamento estrangeiro. Portanto, o Haiti deve garantir direitos de propriedade estáveis a investidores estrangeiros. Esses direitos de propriedade também terão uma boa influência na governança do país, pois acabarão por permitir uma cultura de empreendedorismo.

O Haiti também precisa melhorar sua produtividade agrícola. A agricultura ainda representa cerca de metade da economia do país. O aumento da produtividade pode evitar a necessidade de aumentar a área cultivada (o que causa perda de solo), e modernizar as pequenas propriedades pode ajudar a torná-las mais robustas contra os desastres naturais frequentes da ilha. 

Finalmente, o Haiti pode considerar se tornar um paraíso fiscal. Muitas pequenas ilhas caribenhas, como Bermudas e Cayman, conseguiram fazer com que empresas estrangeiras abrissem escritórios ou comprassem imóveis locais, oferecendo taxas de imposto corporativas extremamente baixas. É um truque barato e ajuda as empresas do mundo rico a contornar suas contas de impostos. Mas traria algum dinheiro muito necessário e poderia ajudar a desenvolver o hábito nacional de proteger os direitos de propriedade. Essa estratégia também exigiria a criação de enclaves de segurança para estrangeiros. 

O Haiti não terá uma história de sucesso da noite para o dia. Mas estas são iniciativas viáveis, pois não exigem consertar todo o país de uma vez – apenas criar bolsões de segurança para gerar alguma prosperidade que pode começar a ajudar a tirar os haitianos da pobreza, iniciando um ciclo virtuoso de estabilidade política e crescimento. A diáspora haitiana e as agências de ajuda internacional devem concentrar seus gastos na criação desses bolsões de crescimento. O Haiti não será consertado amanhã ou depois de amanhã. Mas o crescimento tem de começar em algum lugar.

*É COLUNISTA

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