Haiti quer assumir controle em processo de reconstrução

A uma semana da realização da cúpula mundial convocada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar da situação do Haiti, o primeiro-ministro do país, Jean-Max Bellerive, informou hoje, no Rio, que será prioridade do seu governo assumir a liderança do processo e garantir que caberá aos haitianos estabelecer o planejamento e definir as prioridades de sua reconstrução.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agencia Estado

23 de março de 2010 | 18h46

Devastado por um terremoto que matou mais de 200 mil pessoas, no dia 12 de janeiro, o Haiti precisa de pelo menos US$ 350 milhões em caráter emergencial. Esses recursos servirão para cobrir o rombo orçamentário e financeiro provocado pela tragédia nas contas do país - que não tem recursos sequer para pagar professores e agentes de saúde.

"Precisamos saber quem está no Haiti e para fazer o quê. A informação precisa chegar ao governo, para que saibamos o quanto está sendo arrecadado em nome da reconstrução do país e para onde está indo esse dinheiro", afirmou Bellerive, após participar de uma conferência especial no 5º Fórum Urbano Mundial do Programa da ONU para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).

Segundo ele, há pelo menos 400 ONGs e 10 mil associações atuando no Haiti, no momento. O primeiro-ministro admitiu que 90% dos esforços de resgate e primeiros socorros foram desempenhados por essas entidades e por governos estrangeiros nos primeiros dias após o terremoto.

Ainda segundo ele, o governo haitiano ainda não tem controle completo sobre a atuação desses grupos em seu território. "Durante a crise, em casos emergenciais, isso pode ser tolerado. Agora, não. Porque não adianta arrecadar os US$ 350 milhões que são necessários se não houver controle para que tipo de ação esse recursos está sendo destinado".

Além dos US$ 350 milhões em caráter emergencial, o Haiti ainda estima precisar de pelo menos US$ 3,5 bilhões nos próximos 18 meses. O custo total da reconstrução está em US$ 11,5 bilhões, de acordo com o primeiro-ministro. "Reconhecemos que estamos numa situação de grande dependência", afirmou.

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, se reuniu com Bellerive e fez coro com o haitiano. De acordo com o chanceler, será importante que se estabeleça um órgão na estrutura da ONU, que fique sob a orientação do governo do Haiti, para coordenar o processo de reconstrução do país. Para ele, é preciso fortalecer o estado haitiano. "É o governo haitiano que tem que ver as prioridades. Se vai gastar mais em saúde, mais em educação. Os outros podem até opinar, mas não podem decidir", argumentou Amorim.

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