Logan Abassi/Efe
Logan Abassi/Efe

Haitianos lembram de terremoto que devastou capital há 5 anos

Missa foi celebrada em nova igreja construída perto de antiga catedral; reconstrução é lenta e recuperação, desigual

O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2015 | 15h04

PORTO PRÍNCIPE - Os haitianos se reuniram na manhã desta segunda-feira, 12, para lembrar os cinco anos do terremoto que deixou em ruínas a maior parte da capital e áreas próximas, no que é considerado o pior desastre natural da era moderna no país.

Centenas de pessoas participaram da missa católica realizada ao amanhecer na nova igreja, construída junto às ruínas da Catedral Nacional no centro de Porto Príncipe. "Esta é uma data que nunca esquecerei", disse Gladys Lambard, que perdeu seu marido e a irmã no terremoto, enquanto andava de braços dados com a filha de 14 anos. "A tristeza daquele dia marcou minha vida para sempre."

O presidente Michel Martelly e outros dignitários presidiram a cerimônia numa vala comum na periferia norte da capital, onde as autoridades determinaram o rápido enterro de milhares de pessoas logo após o desastre.

Desastre. O tremor de magnitude 7,0 aconteceu pouco antes das 5 horas de 12 de janeiro de 2010, derrubando os prédios mau construídos da cidade, densamente povoada. Posteriormente, o governo disse que mais de 250 mil pessoas foram mortas, mas o número exato é desconhecido porque não houve esforços sistemáticos para contar os corpos em meio ao caos e à destruição.

Após o terremoto, grupos de toda as partes do mundo foram para o país para tentar resgatar pessoas presas nos escombros e cuidar dos milhares de feridos.

Carine Joiceus, funcionária alfandegária de 44 anos que participou da missa, teve um braço amputado. Depois do tremor, ela teve dois filhos e disse que aprendeu a viver com a nova condição. Eu me lembro de chorar durante todo o ano após o que aconteceu. Mas, desde então, estou seguindo adiante com minha vida e pensando no futuro."

Mas para o país como um todo, a recuperação tem sido desigual. A Organização das Nações Unidas diz que o Haiti recebeu mais de 80% dos cerca de US$ 12,45 bilhões prometidos por mais de 50 países e agências multilaterais desde o desastre, numa combinação de assistência humanitária, ajuda para recuperação e socorro após o desastre.

A capital está cheia de novas construções e o número de pessoas nas favelas e acampamentos caiu de cerca de 1,5 milhão para 80 mil. 

Mas o Haiti continua a ser um país pobre que enfrenta os mesmos desafios de antes do terremoto. O Banco Mundial diz que mais de 6 milhões dos cerca de 10,4 milhões de habitantes vivem abaixo da linha nacional de pobreza, que é de US$ 2,44 por dia.

Ao mesmo tempo, um impasse político entre Martelly e o Parlamento tem adiado as eleições legislativas e ameaça prejudicar a estabilidade política do país. /AP

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