Haitianos protestam contra 'ocupação' das forças de paz da ONU

Tropas internacionais lideradas pelo Brasil recebem grande volume de críticas no país caribenho

Associated Press e Reuters

14 Setembro 2011 | 18h37

Protestos ocorreram perto do palácio presidencial, em Porto Príncipe

 

PORTO PRÍNCIPE - Centenas de manifestantes marcharam nas ruas de Porto Príncipe, capital do Haiti, para protestar nesta quarta-feira, 16, contra a "ocupação" das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), chefiadas pelo Brasil. Houve confronto com a polícia.

 

Gritando "Minustah deve sair" e "Violadores", os manifestantes marcharam pelas capital, ainda devastada pelo terremoto de janeiro de 2010. Eles portavam cartazes com slogans contra as forças da ONU e um deles culpava o Brasil pela "ocupação" do Haiti.

 

Umas dos principais motivos teria sido o abuso sexual de um jovem haitiano por parte de soldados uruguaios que compõem a missão de paz, composta de 12 mil militares. A agressão teria ocorrido em 18 de julho e está sob investigação. O mandato da missão se encerra em outubro, mas espera-se que o presidente Michel Martelly peça sua renovação.

 

A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a aglomeração, e os manifestantes responderam com pedras. Não houve feridos. "Justiça para Johnny, justiça para todas as vítimas de violações da Minustah, justiça e indenização para todo o povo haitiano, que é vítima da epidemia de cólera trazida pela Minustah", disse um dos haitianos.

 

A força internacional da ONU está no Haiti desde a época posterior à rebelião que derrubou o presidente Jean Bertrand Aristide em 2004. Durante anos, os soldados foram alvos de queixas, o que aumentou nas últimas semanas com o aparecimento do vídeo que mostra o suposto abuso dos uruguaios.

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