REUTERS/Andres Martinez Casares
REUTERS/Andres Martinez Casares

Haitianos vão às urnas escolher presidente e renovar Congresso

Eleição marcada para outubro foi adiada após passagem de furacão; resultados prévios serão anunciados no dia 1º

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2016 | 19h23

PONTO PRÍNCIPE - Os haitianos compareceram neste domingo às urnas para escolher um novo presidente, deputados e senadores, em uma eleição com a qual o país mais pobre da América busca restaurar a ordem constitucional após mais de um ano de crise política.

Na primeira avaliação sobre o processo, o Conselho Eleitoral Provisório (CEP), que organiza a votação, disse através de sua conta no Twitter que o processo havia ocorrido “muito bem” e “em disciplina”. Quase 6,2 milhões de haitianos foram convocados a votar em um dos 27 candidatos presidenciais e a preencher 25 dos 109 assentos da Câmara e 16 dos 30 do Senado.

“Tenho de admitir que estou um pouco surpresa pela forma tranquila como as coisas transcorreram. Não tivemos uma única ocorrência”, disse Vanessa Similien, funcionária do órgão eleitoral do Haiti que monitorava a votação em uma escola no bairro Cite Soleil, na área metropolitana da capital, Porto Príncipe.

A eleição presidencial foi realizada depois que a primeira votação de 25 de outubro de 2015 foi anulada em razão de amplas fraudes, que causaram intensos protestos da oposição. A nova votação deveria ter ocorrido em 9 de outubro, mas foi adiada em razão da passagem do furacão Matthew, que deixou 573 mortos e 175 mil desabrigados no país, provocando uma das piores crises humanas desde o terremoto de 2010.

São mais uma vez candidatos Jovenel Moise, do Partido Haitiano Tet Kale (PHTK), e Jude Célestin, da Liga Alternativa pelo Progresso e Emancipação Hatiana (Lapeh), que ficaram em 1.º e 2.º lugar com 32,81% e 25,27% dos votos, respectivamente, na eleição de 2015.

Moise foi um dos primeiros a votar. O candidato do PTHK afirmou que tudo estava ocorrendo perfeitamente e pediu que os patriotas fossem às urnas para garantir um “melhor futuro”. Ele também pediu o voto do ex-presidente haitiano Michel Martelly, que deixou o cargo em fevereiro depois do término do seu mandato, passando o governo para o controle do então presidente do Senado do Haiti, Jocelerme Privert.

“É preciso que as eleições ocorram de forma correta. Que as pessoas despertem e decidam eleger uma pessoa de valor para chefe de Estado para mudar o país”, afirmou Rita Pierre, com seu documento de identificação em mãos enquanto aguardava na fila de uma seção eleitoral.

“Nada me impedirá de votar. Todos temos de nos apresentar para ajudar a resolver os problemas do Haiti”, declarou Mickenson Berger, cabeleireiro que trabalha de forma improvisada nas ruas da capital desde que seu estabelecimento foi arrasado pelo terremoto de 2010.

Mas, cansados da crise eleitoral, a maioria dos haitianos mostrou pouco entusiasmo para participar da votação e, nas regiões afetadas pelo furacão Matthew, os habitantes estiveram mais preocupados em encontrar água potável e alimentos do que em eleger seus futuros dirigentes.

A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti espalhou 130 agentes pelo país para avaliar o processo eleitoral. Observadores da Comunidade do Caribe (Caricom) também acompanhavam o processo de votação.

Mais de 9,4 mil policiais nacionais foram mobilizados, apoiados por 1,4 mil agentes da missão de Paz da ONU no Haiti (Minustah) e 80% do seu contingente militar. 

As urnas foram fechadas às 16 horas (18 horas em Brasília). Em razão do difícil acesso a algumas regiões e a problemas logísticos, os resultados preliminares não serão publicados antes do dia 1.º. Os candidatos poderão apresentar recursos e os resultados oficiais serão divulgados em 29 de dezembro. Se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos, será realizado um segundo turno em 29 de janeiro. / AFP, EFE e REUTERS

 

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