AP Photo/Adel Hana, File
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Hamas aceita Estado palestino nas fronteiras de 1967 sem reconhecer Israel

Movimento palestino islamita modificou pela primeira vez em sua história seu programa político aceitando as demarcações geopolíticas anteriores à Guerra dos Seis Dias

O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2017 | 17h05

DOHA, CATAR - O movimento palestino islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, modificou nesta segunda-feira, pela primeira vez em sua história, seu programa político, aceitando em particular um Estado palestino nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967, sem que isso represente o reconhecimento do Estado de Israel, segundo um documento publicado nesta segunda-feira em seu site.

No documento em árabe e em inglês, que o movimento adicionou à sua Carta fundacional de 1988, o Hamas insiste no caráter político e não religioso de seu conflito com Israel e avalia que "o estabelecimento de um Estado palestino inteiramente soberano e independente dentro das fronteiras (marcadas) de 4 de junho de 1967, com Jerusalém como capital, (...) é uma fórmula de consenso nacional".

O documento com 42 pontos foi publicado na página na internet do Hamas, quando começava em Doha, capital do Catar, uma coletiva de imprensa do líder do movimento no exílio, Khaled Meshal. A conferência foi transmitida ao vivo em Gaza, controlada há dez anos pelo movimento islamita.

O Hamas é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos, pela União Europeia (UE) e por Israel e vários de seus dirigentes estão sujeitos a sanções.

Ao emendar, pela primeira vez em quase 30 anos, seus textos fundacionais, considerados por alguns - Israel, em primeiro lugar - como antissemitas, o Hamas tenta posicionar-se como um interlocutor em nível internacional, avaliam analistas.

Diferença. A principal mudança é o conhecimento do Estado Palestino com as fronteiras de 1967 - antes da ocupação israelense da Cisjordânia, da Faixa de Gaza e de Jerusalém Oriental -, explicou um alto dirigente do Hamas, que pediu para ter sua identidade preservada, destacando que isto não significava "de forma alguma o reconhecimento" de Israel.

Os outros pontos de destaque são a distinção entre os judeus "como comunidade religiosa por um lado e a ocupação e o projeto sionista por outro", assim como o distanciamento do Hamas da confraria egípcia Irmandade Muçulmana.

Um alto funcionário do Hamas informou nesta segunda, também pedindo anonimato, que o documento publicado será apresentado "em várias capitais estrangeiras", muitas das quais se recusam a dialogar com o grupo.

O anúncio acontece a 48 horas do primeiro encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, confrontado ao Hamas. O gabinete do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, já qualificou este documento de "mentiroso".

O órgão do ministério da Defesa de Israel, encarregado da administração dos Territórios Palestinos ocupados, avaliou que "o movimento terrorista Hamas debocha do mundo, ao tentar se apresentar com este chamado documento como uma organização desenvolvida". / AFP e EFE

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