Hamas aceita proposta para conferência de paz

A liderança do Hamas concordou nesta segunda-feira com uma conferência internacional de paz com Israel após a Liga Árabe - irritada com a ofensiva militar israelense em Gaza - votar pelo fim do embargo financeiro aos palestinos. O ministro do Exterior do Hamas, Mahmoud Zahar, endossou uma declaração dos ministros do Exterior árabes clamando por uma conferência de paz durante o encontro no Cairo para responder ao veto dos Estados Unidos à resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenava a ofensiva israelense em Gaza. Israel respondeu alegando que não manterá conversações com o Hamas a menos que ele concorde com as solicitações, apoiadas pelos Estados Unidos e Europa, que são reconhecer Israel, renunciar à violência e respeitar os acordos já existentes entre Israel e palestinos. Zahar disse que os palestinos pediram por uma conferência de paz "para buscar soluções justas e abrangentes". Foi a primeira vez que o Hamas indicou que poderia considerar acordos com o Estado judeu. O Ocidente cortou centenas de milhões de dólares em ajuda internacional e impostos aos palestinos após o Hamas tomar o poder em março em um esforço para pressionar o grupo militante islâmico para controlar a ideologia anti-Israel. Israel deixou claro que o Hamas "deve aceitar suas reivindicações". Mark Regev, porta-voz do Ministério do Exterior israelense, disse que não foi informado sobre a proposta de conferência, mas disse que o Hamas não poderá negociar com Israel a menos que aceite o que foi estipulado pela comunidade internacional. "Uma conferência multilateral não faz o Hamas legítimo", disse Regev. "O que fará o Hamas legítimo é aceitar as imposições internacionais". Domingo foi a primeira vez que Zahar foi a uma reunião de ministros do Exterior árabes desde que o Hamas tomou o poder. A Liga Árabe havia anteriormente recusado-se a deixá-lo participar a menos que o Hamas aceitasse a iniciativa de paz. Os ministros árabes também decidiram no domingo interromper o bloqueio financeiro aos palestinos para mostrar a reprovação ao veto norte-americano no Conselho de Segurança da ONU no sábado. O texto havia condenado a ofensiva israelense em Gaza que matou mais de 50 pessoas recentemente e também determinava que as tropas de Israel desocupassem o território. O embaixador norte-americano John Bolton disse que a resposta foi "tendenciosa contra Israel e motivada politicamente". Foi o segundo veto norte-americano a uma resolução contra as operações militares em Gaza este ano.

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