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Hamas aceita retirar milícia das ruas de Gaza

O governo palestino liderado pelo grupo islâmico Hamas chegou nesta quarta-feira a um acordo com a facção oposicionista Fatah por meio do qual retirará das áreas públicas de Gaza uma milícia criada pelo grupo há cerca de um mês. A força de segurança era composta por rebeldes do Hamas e seu lançamento foi o estopim para uma série de violentos confrontos entre militantes das duas facções.O acordo, mediado por diplomatas egípcios, foi obtido em meio a um profundo desentendimento entre as partes por causa de um ultimato feito ao Hamas pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para que o grupo reconheça Israel ou aceite um referendo sobre o tema.A milícia está no centro de uma luta pelo poder entre os dois partidos palestinos. No mês passado, o Hamas enviou às ruas uma milícia composta por cerca de 3 mil homens, desencadeando choques contra forças leais à Fatah que custaram a vida de pelo menos 16 pessoas. "Eles serão posicionados em lugares distantes do público. Eles não ficarão visíveis aos olhos da população", declarou o porta-voz do governo do Hamas, Ghazi Hamad.Enquanto o Hamas aceitou retirar a milícia da vista do público, a Fatah concordou com a incorporação dos milicianos às forças regulares da polícia palestina.Líderes de ambos os lados participaram das extensas negociações mediadas pelos egípcios, inclusive o primeiro-ministro da ANP, Ismail Haniye, do Hamas."Nós chegamos a um acordo sobre medidas práticas para encerrar o derramamento de sangue nas ruas palestinas", assegurou Hamad.No mês passado, o Hamas havia concordado em retirar das ruas a força de segurança, mas os milicianos voltaram à ativa depois de alguns dias. Nesta quarta-feira, depois do anúncio do acordo, a milícia uniformizada do Hamas ainda era vista nas ruas.ReferendoApesar do acordo desta quarta-feira, não estava claro se as duas facções políticas acertariam os ponteiros com relação a uma proposta elaborada por líderes militantes do Hamas e da Fatah detidos em penitenciárias israelenses. O documento prevê o reconhecimento implícito de Israel. Ainda nesta quarta-feira, Abbas voltou a adiar o prazo final para uma resposta do Hamas a seu ultimato sobre o reconhecimento do Israel. O prazo original era a terça-feira e já havia sido estendido por 48 horas. O presidente da ANP deu até o fim de semana para que o grupo islâmico responda e então deverá estabelecer uma data para realização do referendo. Uma vez que o presidente palestino fixar uma data para realização da consulta popular, a votação deverá acontecer cerca de 45 dias depois. Enquanto Abbas afirma que as negociações continuarão até o dia da votação, ele se negou a fazer qualquer mudança no documento. O presidente também pediu nesta quarta-feira que monitores internacionais supervisionem o referendo. O primeiro ministro israelense, Ehud Olmert, disse esta semana que está disposto a discutir a possibilidade de recomeçar as negociações de paz. Contudo, funcionários do governo israelense sustentam que a realização das negociações será impossível enquanto o Hamas continuar pregando a destruição do Estado Judeu.

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