Hamas acusa Israel de ter matado militante

O Hamas acusou nesta sexta-feira agentes israelenses de terem assassinado um veterano integrante do grupo militante islâmico, afirmando que ele foi eletrocutado na semana passada num quarto de hotel em Dubai.

AE-AP, Agencia Estado

29 de janeiro de 2010 | 13h37

O grupo, que prometeu retaliar, identificou o homem como Mahmoud al-Mabhouh, um dos fundadores do braço militar do Hamas. Segundo o Hamas, Al-Mabhouh tinha 50 anos. O governo israelense não comentou o assunto.

Izzat Rashaq, alto integrante da liderança exilada do Hamas em Damasco, disse que detalhes sobre o crime não foram divulgados para evitar comprometer a investigação e que a decisão do Hamas de adiar o anúncio foi uma tentativa de "alcançar os agentes israelenses que implementaram esta operação".

Os poucos detalhes divulgados são conflitantes. Talal Nassar, um funcionário do escritório de mídia do Hamas em Damasco, disse que al-Mabhouh fora "envenenado e eletrocutado em seu quarto de hotel em Dubai", mas não forneceu maiores informações.

O irmão de Al-Mabhouh, Hussein, de 49 anos e que vive no campo de refugiados de Jebaliya, em Gaza, disse que seu irmão "morreu por choques elétricos e sufocação com um pedaço de tecido".

Hussein al-Mabhouh disse também que seu irmão sobrevivera a duas tentativas de assassinato israelense, dentre elas uma seis meses atrás, quando foi envenenado e ficou inconsciente por 30 horas. "Era esperado que o Mossad tentasse matá-lo", disse, referindo-se ao serviço secreto israelense.

Al-Mabhouh, nascido da Faixa de Gaza, viveu na Síria e estava de passagem por Dubai quando foi morto na noite de 19 de janeiro ou manhã do dia seguinte, disse Rashaq.

"Nós do Hamas culpamos o inimigo sionista pelo assassinato criminoso de nosso irmão", diz um comunicado do Hamas publicado no site do grupo. O grupo prometeu "retaliar o crime sionista em local e hora apropriados".

Al-Mabhouh foi enterrado na noite de sexta-feira no campo de refugiados palestino de Yarmouk, perto de Damasco. Mais de 2 mil palestinos participaram do funeral. O caixão estava envolto numa bandeira verde do Hamas e uma grande fotografia de

Al-Mahhouh foi colocada na entrada da mesquita com as palavras "suas pegadas estão em todo lugar...prometemos continuar seu caminho".

O comunicado do Hamas diz que Al-Mabhouh esteve envolvido no sequestro e morte de dois soldados israelenses em 1989 e que ele tinha "contínua participação no apoio a seus irmãos da resistência dentro de sua ocupada terra natal" quando morreu.

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