Hamas ameaça reagir contra cerco a Arafat

O grupo fundamentalista islâmicoHamas comunicou hoje, em Gaza, através de um de seusdirigentes, Abdel Aziz Rantisi, que o movimento não assistirá"de braços cruzados" à "agressão israelense ao povo palestinoe ao presidente Ysaser Arafat". Rantisi disse que "está em curso uma agressãosionista contra todos os palestinos em geral e contra opresidente Arafat... e o Hamas não ficará olhando sem fazernada", afirmou. Ele se referiu à destruição, peloExército israelense, do quartel-general do líderpalestino em Ramallah. A ação israelense também provocou enfáticas reações naEuropa e Oriente Médio. O alto representante para Política Exterior e Segurançada União Européia, Javier Solana, expressou sua "preocupação sobre o dessenvolvimento da situação em Ramallah, naresidência do presidente Arafat" e o governo francês disse quea ação israelense constitui um ato inaceitável e deve cessar. "As operações militares são inaceitáveis. A Françaexige seu fim imediato", declarou a chancelaria em umacomunicado. "Reiteramos nosso pedido às autoridades israelensespara que não empreendam ações que ameacem a integridade físicado presidente da Autoridade Palestina ou de seus ministros." Em Londres, um porta-voz da Chancelaria britânica disseque a paz no Oriente Médio "só pode ser alcançada através danegociação, e não da ação militar. "Nos demos conta de queIsrael deve adotar medidas de segurança", declarou o porta-voz,"mas a paz pode ser alcançada apenas através da negociação, nãoda ação militar". Arafat, que se comunica com o mundo apenas através deuma linha telefônica, conversou com líderes do Egito, Jordânia eArábia Saudita para que utilizem sua influência junto aos EUA ea comunidade internacional para pôr fim à "impunidade com aqual age o Exército de Israel". A diplomacia árabe se mobilizou em defesa de Arafat. A Jordânia criticou neste sábado a ação armadaisraelense e o primeiro-ministro Ali Abul-Ragheb, que falou portelefone com o líder palestino, apelou a Israel para que cesseas ações militares e o bloqueio a cidades e povoados palestinos,disse a agência oficial Petra. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, alertou hoje omundo sobre "as conseqüências negativas dessas ações derepresália, que só torpedeiam os esforços de paz e alimentam aresposta palestina". Mas a debilidade do países árabes e sua escassa margem de manobra foi exposta na sexta-feira com a decisão doConselho de Segurança da ONU de adiar para segunda-feira umareunião de emergência para discutir o agravamento da situaçãonos territórios palestinos. A reunião havia sido convocada apedido do grupo árabe da ONU. Apesar das pressões internacionais, o chancelerisraelense, Shimon Peres, rejeitou hoje o pedido do chefe dogrupo negociador palestino, Saeb Erekat, de levantar o cercomilitar ao quartel-general de Arafat. E o ministro da Defesaisraelense, Binyamin Ben-Eliezer, também não aceitou o pedido dosecretário do Comitê Executivo da Organização para a Libertaçãoda Palestina (OLP), Abu Mazen, para visitar Arafat. Ainda hoje,o Exército de Israel também proibiu os jornalistas de entraremem Ramallah, que está sob toque de recolher.

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