Hamas anuncia fim de trégua com Israel

Em um dura reação aos disparos de artilharia realizados pelas forças de segurança israelenses contra uma praia da Faixa de Gaza, a ala militar do Hamas anunciou nesta sexta-feira que não honrará mais uma trégua estabelecida com Israel há um ano e quatro meses. Ao menos sete civis palestinos morreram na ação."O terremoto nas cidades sionistas vai recomeçar, e os agressores terão que preparar seus caixões ou suas bagagens", anunciou um panfleto distribuído por militantes numa manifestação do Hamas na noite desta sexta-feira. "Os grupos de resistência escolherão o lugar e a hora adequada para a dura resposta."A declaração lança a ameaça de uma nova onda de ataques terroristas contra Israel. O Hamas suspendeu sua sangrenta campanha de ataques suicidas, que matou centenas de civis israelenses, após um cessar-fogo anunciado em fevereiro de 2005. Até então, o grupo mantinha-se fiel à trégua. Os ataques da artilharia israelense foram parte de uma operação de bombardeio cujos alvos eram locais suspeito de servirem de sítios de lançamento de foguetes contra Israel. Além dos sete mortos em decorrência do ataque à praia de Gaza, outros três supostos militantes islâmicos morreram em um outro ataque israelense.A violência serviu de combustível para as tensões que estremeceram Gaza após o assassinato de um alto militante do Hamas, Jamal Abu Samhadana, nesta quinta-feira. O grupo lidera o governo palestino. Dezenas de milhares de pessoas, incluindo militantes raivosos atirando para o alto, lotaram um estádio de futebol durante o funeral de Samhadana.Após o dia conturbado, militantes do Hamas fizeram demonstrações em vários pontos de Gaza. Na cidade de Gaza, militantes do Hamas pediram o fim do cessar-fogo. "Nós não podemos permanecer em silêncio", disse o porta-voz da organização, Sami Abu Zuhri. "Se Deus quiser, a resposta será de tremer a terra. Nós não temos outra opção se não defender nosso povo, nossas crianças e nossa terra."Lideranças políticasO presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, classificou a ofensiva israelense como um "crime genocida", pediu intervenção internacional e declarou luto por três dias.Seu rival político, o primeiro-ministro palestino, Ismail Hanieyeh, chamou o ataque de "crime de guerra", e pediu o fim dos recentes enfrentamentos entre o seu grupo, o Hamas, e a facção de Abbas, a Fatah.Resposta israelenseSegundo o exército israelense, o ataque à praia de Gaza tinha como alvo locais supostamente usados por militantes palestinos para lançar foguetes contra o território israelense. O Exército, no entanto, negou que os disparos foram efetuados por aviões ou navios de guerra, mas afirmou que a artilharia terrestre pode ter sido responsável.O chefe das Forças Armadas de Israel, general Dan Halutz, ordenou o fim da operação contra a Faixa de Gaza e a abertura de uma investigação sobre as mortes."Eu expresso meu profundo pesar por qualquer mal causado a civis inocentes", disse o capitão Jacob Dallal, um porta-voz do Exército israelense. Ele acrescentou que o governo ofereceu assistência médica aos feridos, incluindo a transferência para um hospital em Israel.Seis dos mortos sete mortos no ataque eram membros de uma mesma família, que faziam um piquenique na praia. Uma criança e um bebê de 18 meses estavam entre as vítimas.Outro ataqueAinda nesta sexta-feira, um míssil israelense atingiu um veículo que transportava supostos militantes islâmicos, deixando outros três mortos. Os homens aparentemente fugiam de uma área isolada no norte de Gaza depois de terem disparado foguetes contra o norte de Israel, informaram funcionários palestinos e militares israelenses. Eles foram identificados como prováveis membros dos Comitês de Resistência Popular, uma coalizão rebelde composta por militantes de diversos grupos armados palestinos.

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