Hamas anuncia oficialmente o fim do "período de trégua"

O braço armado do Hamas, as Brigadas de Izz al-Din Qassam, anunciou oficialmente hoje que pôs fim a seu compromisso com o Governo palestino para um "período de calma" com Israel. Os milicianos islâmicos "vingarão todos os crimes do inimigo sionista contra nosso povo durante a trégua" de quase um ano, advertem as "Brigadas" em seu comunicado, que deixa sem efeito seu pacto com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, de 17 de março.A organização tinha antecipado ontem sua decisão, por meio de um comunicado firmado conjuntamente com outras facções palestinas, pouco antes do fim de 2005. O documento não indica claramente se o reatamento das operações desses "batalhões", armados com foguetes Qassam, incluirá ataques contra objetivos no território de Israel.Esses foguetes, um arma artesanal quase exclusiva dos fundamentalistas, eram empregados há alguns meses por outras facções palestinas para atacar localidades israelenses desde Gaza.Crise internaO anúncio coincide, neste fim de semana, com uma possível crise interna no Hamas por causa das eleições legislativas do próximo dia 25 em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém oriental. O líder do Hamas na Cisjordânia, Hassan Youssef, um moderado preso há dois meses na prisão israelense de Ashkelon, acusado de "contatos com uma organização terrorista", parece refletir o enfrentamento entre os dirigentes fundamentalistas.É ignorado por enquanto se a decisão de Youssef, que apoiou a realização das eleições - ao contrário de seus aliados na Síria, como o chefe político do Movimento, Khaled Mashal -, está relacionada ao anúncio das Brigadas de Izz al-Din Qassam.Neste fim de semana, pela primeira vez, houve em algumas mesquitas de Gaza enfrentamentos violentos entre seguidores de diferentes candidatos do Hamas. Os templos religiosos são aproveitados por alguns imames para a propaganda em favor de uns ou outros.Após obter amplas vitórias nas eleições municipais de 2005 em diferentes cidades de Gaza e Cisjordânia, os candidatos do Hamas participarão pela primeira vez de um pleito legislativo, e o farão com possibilidades de ameaçar o Fatah e deixar o partido em minoria no Parlamento.Fontes palestinas informavam hoje que dirigentes veteranos do Fatah, encabeçados pelo primeiro-ministro, Ahmed Qorei (Abu Alá), e também alguns da "nova geração", pediram ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, para adiar as eleições do dia 25.Eleições podem ser adiadasUm dos máximos dirigentes do Hamas em Gaza, Mahmud a-Zahar, que exige a realização das eleições na data marcada, ameaçou ao presidente Abbas. "Não haverá ANP, nem organismos de segurança" em Gaza e Cisjordânia as eleições forem adiadas, afirmou.Os dirigentes do Fatah que pediam hoje o adiamento afirmam que a medida é necessária pois Israel não permitirá que os palestinos votem em Jerusalém. Mas A-Zahar rejeitou esse argumento esta manhã, afirmando que "nós podemos legislar também sem esses votos".O pleito palestino será supervisionado por centenas de observadores da União Européia (UE), que já começaram a chegar à região para estabelecer contatos com as autoridades palestinas, e dos Estados Unidos, entre outros países.

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