Hamas anuncia trégua de 1 semana

Grupo palestino exige saída de tropas de Israel, que iniciam retirada gradual

Gustavo Chacra, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

19 de janeiro de 2009 | 00h00

O Hamas anunciou ontem que suspenderia seus ataques contra Israel, um dia depois do premiê israelense, Ehud Olmert, decretar um cessar-fogo unilateral. A decisão do grupo está condicionada à retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza em no máximo uma semana. Insistindo que não cederá a pressões do grupo, o Exército começou a desocupar suas posições no território palestino. O conflito, que durou três semanas, deixou cerca de 1.300 palestinos e 13 israelenses mortos."Nós, das facções de resistência palestinas, declaramos um cessar-fogo em Gaza e confirmamos nossa posição de que o inimigo deve se retirar em no máximo uma semana", disse Moussa Abu Marzouk, um dos líderes do Hamas com base em Damasco. No Egito, outros integrantes do grupo acrescentaram que Israel deve levantar o bloqueio imposto ao território palestino, além de permitir a entrada de ajuda humanitária. Ismail Hanyieh, ex-premiê e um dos mais conhecidos líderes do Hamas, declarou que o cessar-fogo decretado por Israel foi uma "vitória do grupo palestino".O grupo não deu detalhes de como deve ficar sua fronteira com o Egito. Tampouco afirmou se aceitaria ou não o retorno de forças leais à Autoridade Palestina, controlada pelo Fatah, que foi derrubado do poder em Gaza pelo Hamas em meados de 2007. As declarações da organização não informavam se a trégua seria temporária ou definitiva. Em negociações, o grupo insistiu que concordava em suspender os ataques contra Israel por um ano.Ao anunciar o cessar-fogo na noite de sábado, Olmert afirmou que não estava suspendendo as operações militares em coordenação com o Hamas. Além disso, Israel exige que monitores internacionais na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito para impedir o contrabando de armamentos. Tecnologia fornecida pelos americanos também será utilizada.Antes de o Hamas anunciar o cessar-fogo, o grupo lançou 17 foguetes contra o território israelense, sem deixar vítimas. Israel reagiu aos ataques disparando contra o norte da Faixa de Gaza. Ao anunciar que suspenderia os ataques, o premiê israelense deixou claro que o Exército se reservaria o direito de responder ao Hamas.Em jantar em Jerusalém com líderes da França, Grã-Bretanha, Alemanha e Espanha, Olmert afirmou que planeja completar a retirada das tropas do território palestino o mais rápido possível desde que haja estabilidade. "Não pretendíamos reconquistar Gaza, não colocamos como meta controlar Gaza e não queremos continuar em Gaza. Queremos sair o quanto antes", afirmou.As tropas começaram a atravessar a fronteira de volta para Israel ontem. Tanques levavam soldados celebrando. Mas a retirada é apenas parcial. Segundo um porta-voz do governo, a desocupação poderá ser suspensa se o Hamas não cumprir o cessar-fogo.A secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, afirmou que os EUA saúdam "o fim das hostilidades em Gaza" e esperam que "todos os lados envolvidos suspendam as ações hostis imediatamente". A ofensiva israelense contra o Hamas começou no dia 27 de dezembro. Israel afirma que o grupo palestino violou cessar-fogo vigente por seis meses ao lançar foguetes contra cidades do sul do país. O grupo palestino afirma que os israelenses desrespeitaram a trégua antes, ao matar seis militantes da organização em novembro.Em Israel, a guerra contra o Hamas está sendo considerada uma vitória. Para analistas, os israelenses reconquistaram o respeito depois do " fracasso" no conflito contra o Hezbollah no Líbano em 2006. O resultado da guerra tende a fortalecer o ministro da Defesa Ehud Barak e a chanceler Tzipi Livni nas eleições parlamentares do dia 10. Os dois são rivais e, antes do conflito em Gaza, o favorito era o conservador Binyamin Netanyahu.

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