Hamas coloca líder extremista no controle de forças de segurança

O novo ministro interior palestino e integrante do grupo islâmico Hamas, Said Siyam, nomeou para o cargo de chefe da segurança, nesta quinta-feira, o palestino Jamal Samhadana, líder dos Comitês de Resistência Popular - grupo responsabilizado por diversos ataques terroristas em Israel. Com isso, o grupo lança um desafio direto à autoridade do presidente Mahmoud Abbas. Samhadana, ex-oficial de segurança que foi dispensado do serviço por se recusar a reportar a seus superiores durante o levante contra Israel, foi elevado a coronel. Seu grupo assumiu a responsabilidade de vários ataques a Israel e é suspeito de envolvido no ataque ao comboio do embaixador dos EUA em Gaza, em outubro de 2003, quando três seguranças fuzileiros foram mortos. O porta-voz do ministro do interior, Khaled Abu Hilal, disse que Siyam também está formando um grupo de segurança, que responderá somente a ele, para trazer a lei e ordem às ruas palestinas. "Essa força será composta pela elite de nossos filhos lutadores da liberdade, dos guerreiros sagrados e dos melhores homens que possuímos", disse Abu Hilal. "Irá incluir membros de todos os braços da resistência." O escritório de Abbas ainda não fez comentários sobre o assunto. Abu Hilal disse que oficiais já começaram o recrutamento da nova força, mas eles não estão permitidos a comentar sobre como ou quão grande será a estrutura. Ele também não informou se a nova força será paga pelo Ministério do Interior ou se os membros servirão como voluntários e receberão pagamento através de seus respectivos grupos militantes. Comando militar Logo após o Gabinete do Hamas assumir o governo no último mês, Abbas apontou um antigo aliado, Rashid Abu Shbak, para se tornar líder de três serviços de segurança que ficam sob o controle do ministéro do interior. O presidente palestino também controla vários outros serviços de segurança diretamente. Ainda não está claro quem reterá o controle efetivo das forças de segurança, ou Samhadana ou Abu Shbak. Mas é provável que a disputa seja levada ao Conselho Nacional de Segurança, liderado por Abbas. Abbas controla a unidade de segurança presidencial, a polícia de fronteiras e os vários serviços de inteligência. A unidade de segurança preventiva, que é voltada para a inteligência criminal, a defesa civil, que lida com os desastres, e a polícia, ficam sob o controle do Ministério do Interior. Problemas financeiros Como a Europa, os EUA e Israel cortaram a maioria de sua ajuda financeira à Autoridade Nacional Palestina (ANP), seus 165 mil funcionários públicos não são pagos desde o mês passado. Nos dois meses após a vitória do Hamas, a máquina pública contratou mais 9 mil empregados. O número dos oficiais de segurança passou de de 60 mil para 80 mil. A ANP necessita de cerca de US$ 160 milhões todos os meses para custear sua máquina pública. Desse total, mais de US$ 118 milhões vão para os funcionalismo e outros US$ 40 milhões servem para cobrir custos operacionais. O governo tem recebido em torno de US$ 30 milhões, mas esse capital tem sido usado para as despesas básicas de saúde e projetos sociais.

Agencia Estado,

20 Abril 2006 | 16h37

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