Hamas dá seis meses para resolução de governo com Fatah

O líder do Hamas, Khaled Mashaal, disse neste sábado que seu grupo estava disposto a dar seis meses de negociações de paz para alcançar acordo sobre um Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia com o partido moderado Fatah, mas ameaçou novo motim caso as conversas falhem. "Damos seis meses para a abertura de horizontes políticos. (...) Concordamos no acordo nacional para estabelecer um Estado palestino", disse ele. "Eles (o Fatah) têm que agarrar a oportunidade. Ele alertou que, se uma conclusão não for alcançada dentro desse tempo, "o Hamas se tornará mais forte e a resistência será retomada". Um novo governo de coalizão entre os dois partidos poderia abrir caminho para o fim do bloqueio econômico internacional imposto ao Hamas desde a formação de sua administração. Alguns países ocidentais, em especial os EUA, consideram o partido "terrorista" e se recusam a reconhecer sua autoridade, apesar de o Hamas ter chegado ao poder através de eleições diretas. As principais exigências do Ocidente são para que algumas alas do partido renuncie à violência e que a legenda reconheça Israel como Estado, o que ainda não aconteceu. Contudo, o líder do Hamas na Síria disse que havia bons resultados para um acordo sobre um governo de coalizão com o Fatah, dizendo que "bons laços" foram feitos, mas ainda seria necessário "mais tempo". O chefe do escritório político do Hamas disse ainda, em entrevista coletiva, que o governo de união nacional palestino não pode ser composto por tecnocratas. Ele afirmou ainda que o povo "já está bastante politizado e precisa de um governo de facções". Deste modo, Mashaal - considerado o "número um" do Hamas - joga um balde de água fria nas expectativas internacionais de que fosse ser criado um Governo tecnocrata e menos politizado, que teria a aprovação da União Européia (UE), dos EUA e de Israel. Culpa de Israel Mashaal culpou Israel pelo falta de progresso em um acordo que trocaria prisioneiros palestinos afiliados em Hamas por um soldado judeu, capturado em junho por simpatizantes do partido islâmico. A declarações de Mashaal aconteceram durante encontro com autoridades egípcias, as quais agem como intermediárias na crise do seqüestro do cabo do Exército Gilad Shalit e da formação de um governo de unidade palestino com o partido rival ao Hamas, o secular Fatah, do lendário líder palestino Yasser Arafat. "Não somos o motivo por trás do atraso da decisão ad troca de prisioneiros; o atraso de um acordo deve-se ao outro lado", disse Mashaal. Compromissos Mashaal pediu aos países árabes que cumpram "os compromissos das cúpulas do Cairo (cúpula árabe) e de Riad (cúpula islâmica)", que aprovaram a suspensão do embargo contra seu governo, e agradeceu o Irã por não ter aderido a estas restrições. Ele também disse que há países da UE, os quais não quis citar, que estão prestando socorro efetivo ao Governo palestino, especialmente no âmbito sanitário. Mashaal, acompanhado por uma numerosa delegação do Hamas, se reuniu no Cairo com o chefe dos serviços de inteligência egípcios, Omar Suleiman, encarregado em seu país de coordenar as negociações interpalestinas e também entre palestinos e Israel.

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