Hamas decide manter negociação sobre plebiscito

O Governo do movimento islâmico Hamas decidiu nesta segunda-feira dar continuidade às negociações com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em torno do plebiscito sobre a iniciativa que reconhece implicitamente Israel, em vez de colocá-la em votação parlamentar.Fontes próximas ao Executivo informaram que a votação no Conselho Legislativo Palestino (Parlamento) sobre a convocação do plebiscito, que o Hamas qualifica de "inconstitucional", foi adiada para 20 de junho.O Conselho Legislativo realizou nesta segunda-feira uma "sessão de emergência" para debater a legalidade do plebiscito decretado pelo presidente Abbas.O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniye, rejeita a iniciativa pois esta propõe o estabelecimento de um estado palestino independente de Israel, Estado que não é reconhecido pelo Hamas.Abbas, que também é líder do movimento nacionalista Fatah, rival do Hamas, convocou o plebiscito para 26 de julho por meio de um decreto publicado neste sábado na cidade cisjordaniana de Ramallah.Haniye terá uma reunião com Abbas esta noite, pelo terceiro dia consecutivo, para que ambos tentem chegar a um acordo sobre o assunto.As pesquisas realizadas nos últimos meses indicam que, no plebiscito, o presidente Abbas e a opção de um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967 (o que inclui Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental), venceriam por ampla margem de votos.Apesar do decreto presidencial, Haniye poderá continuar negociando com o presidente até a realização da consulta e, caso haja um acordo, o plebiscito pode ser suspenso.Plano dos prisioneirosO chamado "plano dos prisioneiros", que convoca o eleitorado palestino a se pronunciar, foi feito há menos de um mês por presidiários de diferentes facções palestinas em um centro de reclusão israelense. Ele defende a limitação dos ataques da resistência ao território ocupado, além da libertação de 8.500 prisioneiros e seu retorno aos países de origem.Os representantes do Hamas e do outro grande movimento islamita palestino, a Jihad Islâmica, resolveram se retirar do documento, mesmo depois de tê-lo assinado, por não estarem de acordo com a utilização da iniciativa por parte do presidente da ANP.Após a segunda reunião entre Abbas e Haniye, na noite de domingo, o presidente da ANP disse aos jornalistas que o Conselho Legislativo, onde os deputados do Hamas são maioria, não tem poder para decidir sobre o plebiscito."Pronunciar-se sobre o plebiscito não é tarefa do Conselho Legislativo", afirmou Abbas, acrescentando que a convocação, segundo a Lei Básica (espécie de constituição) palestina, é atribuição exclusiva do presidente.Violência em GazaEnquanto isso, a violência nas ruas de Gaza não foi interrompida e hoje um membro da força de segurança criada recentemente pelo Ministério do Interior palestino, vinculada ao Governo do Hamas, morreu em um enfrentamento.O incidente ocorreu em Rafah, quando, segundo testemunhas, o agente da força de segurança leal ao Hamas morreu baleado por desconhecidos, durante um enfrentamento com agentes leais a Mahmoud Abbas.Os choques armados começaram durante uma procissão fúnebre por um dos ativistas do Hamas, que foi vítima na semana passada em enfrentamentos com grupos rivais.

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