Hamas deixa claro que nunca reconhecerá Israel

O grupo islâmico Hamas pediu nesta deixou claro que nunca reconhecerá Israel e que o acordo sobre o novo governo de unidade nacional palestino não altera a posição do movimento sobre o assunto. Israel e Estados Unidos dizem que o Hamas deve renunciar a violência, reconhecer o Estado judeu e se comprometer com os acordos de paz assinados no passado para que as sanções econômicas e políticas impostas contra o grupo sejam canceladas. Com a vitória do Hamas nas eleições do ano passado, parte da comunidade internacional cancelou o repasse de ajudas financeiras aos palestinos. EUA, Israel e a União Européia consideram o grupo uma organização terrorista.No entanto, o Hamas exortou nesta sexta-feira o Ocidente a aceitar o novo governo de união palestino, que afirma ser a única maneira de garantir a estabilidade no Oriente Médio "Nós nunca reconheceremos Israel. Não há nada chamado Israel, nem na realidade, nem na imaginação", disse à Reuters, em Gaza, Nizar Rayyan, um dos líderes do Hamas. Seus comentários foram endossados por um porta-voz do movimento. Hamas e Fatah assinaram na quinta-feira, em Meca, um acordo de coalizão para acabar com os conflitos entre as facções e tentar voltar a receber a ajuda ocidental, cortada por causa da recusa do grupo islâmico em reconhecer Israel. "Concordamos com os sauditas (sobre a necessidade) em apresentar este acordo internacionalmente. Nossos irmãos (sauditas) estão em contato constante com os americanos e europeus e acredito que há a possibilidade de apresentarmos este acordo", disse à Reuters o porta-voz do governo do Hamas, Ghazi Hamas. "Eles não podem ignorar este acordo e impor suas próprias condições", disse ele em referência aos Estados Unidos. "A União Européia deveria abrir um diálogo com este novo governo e esta é a única maneira de ter estabilidade na região." ReaçõesA reação internacional ao acordo selado na Arábia Saudita entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o chefe do Hamas, Khaled Mashaal, foi discreta. O Quarteto de Madrid - grupo que negocia a paz no Oriente Médio formado por EUA, UE, Rússia e ONU - discutiram o acordo nesta sexta-feira, mas não teceu comentário sobre o pacto de divisão de poder.Individualmente, entretanto, os Estados membros do grupo fizeram comentários contidos, limitando-se a receber o acordo com boas vindas e prometendo analisá-lo. A União Européia e os Estados Unidos disseram, entretanto, que esperarão para ver como o novo governo de união se comprometerá com as demandas internacionais para que os palestinos trabalhem com Israel e respeitem os acordo de paz firmados no passado antes de derrubar o embargo imposto contra o Hamas."Nós ainda não vimos o bastante dos detalhes para dar uma resposta", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey.Individualmente, a UE disse nesta sexta-feira que estudará o acordo "de maneira positiva, mas cautelosa." A França saudou o acordo e disse que a comunidade internacional deveria apoiar o novo governo. A Grã-Bretanha descreveu o acordo como "interessante" Israel e os EUA dizem que o movimento islâmico Hamas deve renunciar à violência, reconhecer Israel e comprometer-se com os acordos de paz existentes para que as sanções sejam encerradas. Nabil Amr, assessor de Abbas, disse temer que o acordo não seja suficiente para acabar com as sanções internacionais, que os palestinos dizem ser parte das causas da violência interna que já matou 90 pessoas desde dezembro. "Não posso dizer e não temos grandes expectativas de que este acordo acabará completamente com o cerco, mas abrirá caminho para o fim", disse. O acordo não faz menção ao reconhecimento de Israel, que o quarteto de mediadores da paz exige para acabar com as sanções impostas depois que o Hamas do Fatah nas eleições parlamentares do ano passado. Abbas queria obter nas negociações de Meca uma declaração clara de que o novo governo será "comprometido" com acordos passados, em fórmula oferecendo o reconhecimento implícito de Israel por parte do Hamas. Mas uma carta de Abbas legitimando Ismail Haniyeh, do Hamas, como primeiro-ministro pede para o grupo "respeitar os interesses do povo palestino", relacionando isso a decisões anteriores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

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