Hamas deve reconhecer implicitamente Israel

Os grupos rivais palestinos Hamas e Fatah chegaram nesta terça-feira a um acordo que reconhece implicitamente a existência do Estado de Israel, pondo fim a semanas de difíceis negociações sobre o chamado "Plano dos Prisioneiros".Embora comemorado por líderes dos dois lados, o acordo foi ofuscado pela crise gerada pelo seqüestro de um soldado israelense por militantes palestinos."Nós temos um acordo sobre o documento", anunciou Ibrahim Abu Naja, um dos coordenadores do diálogo nacional sobre o Plano dos Prisioneiros. Segundo ele, o documento será apresentado ao presidente da Autoridade Palestina (AP) e líder da Fatah, Mahmoud Abbas, e ao primeiro-ministro da AP, Ismail Haniye, do Hamas.Naja ressaltou que não há pontos pendentes, pois "todos assinaram e aprovaram o documento". Nas últimas semanas, Abbas vinha tentando convencer o Hamas a endossar o documento, desenvolvido por líderes palestinos detidos por Israel. Para o presidente da AP, o plano servirá para cancelar as sanções econômicas contra o governo palestino liderado pelo Hamas e pavimentará o caminho para a reabertura das negociações de paz com Israel.O reconhecimento do Estado de Israel é um ponto ao qual o Hamas, facção que controla o governo palestino, sempre se opôs. Em seu estatuto, o grupo, responsável pela morte de centenas de israelenses, prega a destruição do Estado judeu. O planoO "Plano dos Prisioneiros" prevê a criação de um Estado palestino nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967, o que implica no reconhecimento do Estado israelense. Além disso, prevê a aceitação de uma proposta apoiada pela Liga Árabe em 2002 que propõe a criação de laços com Israel.Por fim, o plano também pede que os militantes palestinos limitem seus ataques às áreas anexadas por Israel em 1967 e convocou todos os partidos a formarem um governo de unidade nacional."Este é um momento histórico para o povo palestino", disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri. Ainda assim, o acordo foi rejeitado pelos radicais da Jihad Islâmica, um pequeno grupo militante que executou dezenas de ataques contra Israel.O diálogo nacional e o plano dos prisioneiros tinham como objetivo alcançar uma plataforma política comum que pusesse fim à violência entre os grupos palestinos e ao boicote internacional contra o governo do Hamas, por sua rejeição a reconhecer o direito de Israel a existir, assim como os acordos firmados entre palestinos e israelenses, e a renunciar à violência.O Hamas chegou ao poder em eleições democráticas em janeiro passado, provocando a suspensão da ajuda dos Estados Unidos e da União Européia, que consideram o grupo uma organização terrorista.

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