Hatem Moussa/AP
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Hamas diz que Abbas não deveria implorar por Estado palestino

Para dirigente do grupo islâmico, resoluções da ONU não são responsáveis pela construção de Estados

REUTERS

23 Setembro 2011 | 11h06

GAZA - Os palestinos deveriam libertar sua terra, não implorar pelo reconhecimento na Organização das Nações Unidas, disse o grupo islâmico Hamas nesta sexta-feira, 23, rejeitando firmemente o pedido do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pela condição de Estado na Assembleia Geral da ONU. 

 

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Em declaração feita horas antes de Abbas pedir oficialmente o reconhecimento da ONU para um Estado palestino, um dos dirigentes do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que isso não conduziria à independência.

 

"Nosso povo palestino não implora por um Estado... Países não são construídos com base nas resoluções da ONU. Estados libertam suas terras e estabelecem suas entidades", disse Haniyeh, que lidera o governo do Hamas na Faixa de Gaza.

O Hamas tomou o controle de Gaza depois de um breve conflito com simpatizantes de Abbas em 2007. O presidente palestino detém o poder no território ocupado por Israel na Cisjordânia, e os recentes esforços para reconciliar os dois lados estão estagnados.

"O povo palestino vem lutando e resistindo e enfrentando dificuldades há mais de 60 anos, oferecendo milhares de mártires, milhares de prisioneiros... para libertar a terra", acrescentou Haniyeh, falando a jornalistas pela manhã.

"O Estado não será criado por meio de barganhas e essa chantagem política", afirmou.

O estatuto do Hamas pede a destruição de Israel e o grupo tem criticado Abbas repetidas vezes por tentar alcançar um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos.

Abbas afirma que está buscando o reconhecimento da ONU porque durante quase duas décadas de diálogos de paz com Israel fracassaram em produzir um tratado duradouro.

No entanto, os EUA disseram que irão vetar qualquer resolução que reconheça um Estado Palestino, argumentando que uma medida unilateral tornará mais difícil assegurar a paz.

Segundo Haniyeh, o veto dos EUA indica que Abbas estava perdendo seu tempo e que deveria, ao invés disso, se concentrar em resolver as divergências políticas com o Hamas. "Essa é a escolha a ser feita, não ficar correndo atrás de uma miragem", afirmou.

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