Hamas diz que aceitaria condicionalmente um plano de paz

O grupo islâmico Hamas disse nestasegunda-feira que aceitaria a criação de um Estado palestinonos territórios ocupados por Israel na guerra de 1967 noOriente Médio, mas que não está preparado para reconhecer oestado israelita. Em um aparente abrandamento da posição do grupo, o líder doHamas Khaled Meshaal confirmou um relato de suas declaraçõesapresentado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter depois deduas reuniões realizadas em Damasco no fim de semana. "Aceitamos um Estado nos termos do 4 de junho, tendoJerusalém como sua capital, dotado de soberania real e com odireito pleno de retorno dos refugiados, mas sem reconhecerIsrael", disse Meshaal a jornalistas, referindo-se aos limitesanteriores à guerra de 1967. Meshaal, que Carter quer incluir nas negociações de paz como presidente palestino Mahmoud Abbas e Israel, disse que seugrupo islâmico "respeitaria a vontade nacional palestina, mesmoque ela contrariasse nossas convicções". Em discurso feito em Jerusalém, Carter disse que os líderesdo Hamas lhe transmitiram que "aceitariam um Estado palestinonos termos de 1967, desde que aprovado pela populaçãopalestina". Ele se referia à Cisjordânia ocupada e à Faixa deGaza, e a um referendo sobre um acordo que Washington esperafechar ainda este ano. "Isso quer dizer que o Hamas não vai solapar os esforços deAbbas de negociar um acordo e que o Hamas aceitará um acordo seos palestinos o ratificarem num pleito livre", disse ele. Mas Carter disse que Meshaal, com quem se reuniu nasexta-feira e no sábado e que telefonou na segunda-feira paradiscutir as objeções dos EUA e de Israel, rejeitou seu apelopor um cessar-fogo unilateral com Israel para pôr fim àviolência que coloca em risco os esforços para a paz. "Fiz o melhor que pude em relação a isso", disse Carter,falando de seu fracasso em persuadir o Hamas a suspender osdisparos de foguetes desde a Faixa de Gaza, que está sob seucontrole desde que o Hamas expulsou o movimento secular Fatah,de Mahmoud Abbas, do território. Carter disse que o entendimento ao qual chegou com o Hamasprevê um referendo a ser precedido pela reconciliação entre oHamas e o Fatah. O Hamas tomou a Faixa de Gaza do Fatah emjunho, e Abbas exige o retorno do território ao controle domovimento. Um representante oficial do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri,disse que os refugiados palestinos que vivem no exílioprecisariam participar do referendo. Essa condição pode reduziras chances de aprovação do entendimento, já que Israel se opõeao retorno em massa dos refugiados ao que hoje é o Estadojudaico. Abu Zuhri também observou que o Hamas considerará qualquerEstado palestino futuro criado na Cisjordânia e Faixa de Gazacomo "de transição". Falando com jornalistas mais tarde, Carter disse que oslíderes do Hamas com quem se reuniu "não falaram nada sobreEstado de transição".

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