Hamas diz que Fatah declarou guerra ao povo palestino

Em meio ao acirramento das tensões entre os grupos rivais palestinos, um importante líder do grupo islâmico Hamas afirmou a milhares de pessoas nesta sexta-feira que o presidente palestino, do Fatah, "declarou guerra a Alá e à vontade do povo palestino".A afirmação, feita pelo líder do Hamas no parlamento, Khalil al-Hayya, vem num momento complicado para a relação entre as duas facções. Nesta sexta-feira, ao menos 30 pessoas ficaram feridas - algumas em estado grave - em um confronto entre militantes rivais na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. O Hamas, que tem maioria parlamentar, controla o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), enquanto o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pertence ao Fatah. O incidente aconteceu depois que o Hamas acusou um importante membro do Fatah e a guarda presidencial de estarem por trás de uma tentativa de assassinar o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniye, na noite de quinta-feira. O premier, que estava no Egito, havia sido impedido de entrar na Faixa de Gaza por ordens de Israel, pois carregava cerca de U$ 30 milhões em doações. Em meio a protestos de seguidores do Hamas, os guardas de fronteira (fiéis a Abbas), teriam aberto fogo contra o comboio de Haniye. Um guarda costas do premier morreu no incidente, que também feriu o filho mais velho do primeiro-ministro.O Hamas é considerado um grupo terrorista por Israel. Por isso, desde que assumiu o poder, é alvo de um boicote da comunidade internacional e do Estado judeu."Devemos bater com punho de ferro em todos aqueles envolvidos em ferir nossos líderes e membros, e em todos que causam as disputas entre nós", acrescentou Hayya, que falava a cerca de 100 mil seguidores do Hamas durante uma demonstração em um estádio de futebol da Cidade de Gaza. O ato foi organizado para comemorar os 19 anos da fundação do Hamas.Eleições antecipadaFontes do Fatah disseram que o Hamas pretende explorar a situação em uma tentativa de prejudicar o discurso que Abbas deve fazer amanhã, quando provavelmente anunciará um plebiscito sobre a convocação de eleições antecipadas. O objetivo da medida seria tentar destravar o bloqueio internacional sofrido pelo governo do Hamas, que sem receber repasses de Israel, dos Estados Unidos e da Europa não tem conseguido cumprir com suas obrigações mínimas diante do funcionalismo palestino.Durante seu discurso nesta sexta-feira, Hayya disse que o Hamas ficará contra qualquer tentativa de forçar a realização de eleições antecipadas. O dirigente não anunciou, entretanto, o que o Hamas faria caso Abbas anuncie a decisão.Durante o mesmo ato, Ismail Haniye foi mais comedido. Ele apelou por "unidade nacional", mas evitou pedir calma como vinha fazendo em situações de acirramento anteriores.Ainda durante o ato, diversos dirigentes do Hamas pediram a seus partidários que renovassem seus votos com Alá sobre a obrigação (divina) de nunca reconhecer Israel ou renunciar às terras palestinas.ViolênciaCerca de 35 palestinos ficaram feridos nesta sexta-feira em confrontos armados entre simpatizantes do Hamas e do Fatah na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, entre eles dois em estado crítico.Na cidade cisjordaniana de Ramallah, os confrontos ocorreram durante uma manifestação organizada pelo movimento islâmico na praça de Al-Manara, na saída da mesquita de Abdel Nasser.Os manifestantes - muitos deles armados - enfrentaram partidários do Fatah, choques que tiveram a participação, segundo testemunhas, de membros dos órgãos de segurança da ANP. Na Cidade de Gaza, os confrontos ocorreram após às tradicionais orações de sexta-feira, na saída de uma mesquita.Milicianos do Fatah atiraram contra um posto das forças de segurança do Hamas no centro de Gaza, depois que o movimento islâmico decidiu mobilizar membros de seu braço armado em diferentes pontos do território.

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