Hamas diz ter capturado espiões que atuavam para Israel

Agentes teriam se infiltrado em grupos armados e ajudado no assassinato de líderes do grupo

AE, Agência Estado

23 de setembro de 2010 | 18h18

CIDADE DE GAZA - O grupo militante palestino Hamas anunciou nesta quinta-feira, 23, que deteve importantes espiões que trabalhavam para Israel e que haviam se infiltrado em grupos armados e ajudaram a matar militantes graduados.

 

O anúncio feito pelo Hamas se segue a meses de uma forte propaganda que alertou aos moradores do território palestino a não colaborarem com Israel e também às prisões de algumas figuras locais bastante conhecidas.

 

"A polícia conseguiu obter confissões perigosas que revelaram um número de agentes que estavam por trás do assassinato de líderes da resistência", disse o porta-voz do Ministério do Interior, Ihab al-Ghussein. "Nós detivemos alguns agentes que foram capazes de se infiltrar em alguns dos grupos da resistência após terem aderido às organizações, eles tentavam ganhar a confiança dos líderes", acrescentou.

 

Ghussein citou vários incidentes que ocorreram na Faixa de Gaza desde 2006, no qual supostos espiões ajudaram a indicar líderes antes deles terem sido assassinados por forças israelenses, que bombardearam complexos usados pelos militantes. Segundo ele, em vários dos incidentes as informações que os supostos espiões passaram aos israelenses eram incorretas, o que levou à morte de civis. Ghussein não informou, contudo, quantos supostos espiões foram detidos.

 

A sentença por espionar para Israel é a pena de morte. O Hamas já executou dois supostos espiões desde que tomou o controle da Faixa de Gaza, em 2007. Os dois foram executados em abril deste ano.

 

Reunião

 

Representantes dos movimentos palestinos rivais Fatah e Hamas se reunirão amanhã na capital da Síria para discutir os esforços em busca de uma futura reconciliação, disse hoje um funcionário do Hamas em Damasco, Ezzat al-Rushuq. Segundo ele, o político Azzam al-Ahmad, do Fatah, se reunirá com o líder político do Hamas, Khaled Meshal, que vive no exílio.

 

A reunião, aparentemente, é fruto dos esforços de Meshal, que se encontrou na Arábia Saudita com o chefe da espionagem egípcia Omar Suleiman, o qual no passado foi um mediador entre os dois grupos.

 

Nas últimas eleições palestinas de 2006, o Hamas derrotou o Fatah, liderado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas, nas urnas. As tensões entre os dois grupos explodiram em 2007, quando forças do Hamas combateram os partidários do Fatah e tomaram o controle da Faixa de Gaza. A autoridade de Abbas, após isso, ficou confinada à Cisjordânia. As informações são da Dow Jones.

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