Hamas e Fatah aceitam negociar trégua nesta quinta-feira

Autoridades confirmam que encontro com mediação do Egito acontecerá em Gaza

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O ministro da Informação palestino, Mustafa Barghouti, disse que representantes do Hamas e do Fatah estarão presentes no encontro mediado pelo Egito em Gaza nesta quinta-feira, 14.Mais cedo, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ordenou pela primeira vez nesta quinta-feira, 14, que suas forças de segurança recuem no confrontos com os milicianos do Hamas, depois pedir que membros do Fatah mantivessem uma postura defensiva e impedissem a queda de Gaza nas mãos do movimento islâmico.Um oficial das forças de segurança confirmou que a ordem foi dada esta manhã, depois de altos comandantes pedirem a Abbas a autorização para combater.Até agora os órgãos de segurança, alinhados com o presidente, tinham oferecido resistência ao Hamas, mas sem entrar em luta aberta nas ruas de Gaza.A tática de não atacar evitou um maior banho de sangue, mas também custou a perda da maioria das posições dos corpos de segurança em Gaza, assim como de todos os postos na fronteira com o Egito.Nos cinco dias de combates em Gaza, morreram cerca de 70 pessoas. As forças de segurança palestinas na faixa autônoma estãoencurraladas atualmente em duas bases principais: o complexo de al-Anzar, que reúne todos os corpos paramilitares, e o quartel da Segurança Preventiva, que o Hamas garante já ter tomado. Fontes do Fatah afirmam também que ainda controlam a sede doMuhabarat (serviço secreto) e o complexo presidencial.Gaza ocupadaA emissora palestina, controlada pelo Fatah, incentivou que oficiais dos diferentes corpos de segurança da ANP na Faixa de Gaza não se rendam aos insurgentes do Hamas. A emissora advertiu a população ainda que não se enganasse com a propaganda e a guerra psicológica empregada pelo movimento islâmico.Na Cisjordânia, as forças de segurança palestinas leais à ANP iniciaram nesta madrugada uma campanha de detenções de líderes e ativistas do Hamas.Na cidade de Jenin, milicianos das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa seqüestraram um comerciante membro do Hamas identificado como Loai Arkaui.Em Ramala, milicianos da facção armada, vinculada ao Fatah, também raptaram um funcionário da Prefeitura vinculado ao grupo islâmico.Militantes do Hamas levantaram suas bandeiras verdes sobre um dos últimos quarteis na Cidade de Gaza do Fatah, segundo testemunhas. Alguns homens fugiram do fortificado QG da Segurança Preventiva, enquanto outros se renderam com a promessa de "passagem segura para casa" durante um anúncio na rádio do Hamas. Tiros ainda podiam ser ouvidos vindos de telhados onde outros homens da Fatah atiravam contra membros do Hamas. Médicos disseram que ao menos 10 pessoas ficaram feridas na batalha. O Fatah nega que sua base de segurança tenha sido tomada, mas as bandeiras do Hamas podiam ser vistas no telhado, um símbolo para a população de Gaza de que o Hamas dominou a região depois de cinco dias de derramamento de sangue no território. A maioria dos líderes do movimento palestino foram para a cidade de Ramallah, com o presidente Mahmoud Abbas, depois de Gaza ter caído quase totalmente nas mãos do Hamas. "É uma zona de guerra. Desde ontem, vivemos o pior momento de nossas vidas", disse Sadi, por telefone, enquanto tentava acalmar os filhos chorando. Se confirmada, a tomada do QG pelo Hamas será um grande golpe às forças da Fatah leais a Abbas. Os assessores dele disseram que o presidente está preparando um importante anúncio e poderá dissolver o governo de "união" liderado pelo Hamas, uma iniciativa que aumentaria a divisão dos territórios palestinos.O braço armado do Hamas conquistou significativas vitórias na ofensiva que começou no sábado, elevando a perspectiva de um agressivo Estado islâmico de 1,5 milhão de pessoas na fronteira de Israel. "Gaza está perdida", afirmou um assessor de Abbas a diplomatas.Matéria ampliada às 09h10.

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