Hamas e Fatah chegam a acordo sobre trégua

Para ONU, idéia de uma força internacional de paz em Gaza deve ser considerada

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

As facções rivais palestinas Hamas e Fatah acordaram na quarta-feira, 13, os termos de uma nova trégua para colocar fim à onda de violência que já matou 80 pessoas nos últimos dias. Em um comunicado conjunto, os líderes de ambos os lados pediram o fim do conflito. O vice-primeiro-ministro palestino, Azam al-Ahmad, do Fatah, disse que seu grupo concordou com uma lista de condições apresentadas pelo Hamas para a trégua. No entanto, o braço armado do Hamas afirma não ter recebido ordem para suspender os ataques, e ainda há relatos de violência em Gaza. Condições O presidente palestino, Mahmoud Abbas, do Fatah, e o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, do Hamas, divulgaram pela televisão um comunicado no qual pedem que todos os lados parem de lutar. Mais cedo, uma autoridade do Hamas disse à BBC que Haniyeh e Abbas haviam conversado pelo telefone. Autoridades disseram que o Hamas apresentou uma lista com nove condições, incluindo a indicação de um ministro do Interior responsável por todas as forças de segurança da Palestina e o controle dividido com o Fatah das fronteiras de Gaza. Al-Ahmad disse que o Fatah aceita as condições em princípio, mas que é preciso mais diálogo entre os dois lados. Divisão Analistas dizem que se o conflito não for mediado, a Palestina pode ficar dividida em uma Cisjordânia controlada pelo Fatah e uma Faixa de Gaza sob o comando do Hamas. Em março, Fatah e Hamas concordaram em formar um governo de coalizão para colocar fim à violência e às sanções de países ocidentais, mas isso não impediu a rivalidade entre os grupos. Na quarta-feira, o Hamas afirmou ter empurrado atiradores do Fatah para fora do norte de Gaza e conquistado a maior parte do sul. Pelo menos 17 pessoas morreram em conflitos, elevando o número de mortos para 80 desde sábado. O Hamas parece estar ganhando a batalha pelo controle de Gaza, afirma a correspondente da BBC Katya Adler. Combates começaram no sábado quando centenas de atiradores do Fatah e do Hamas lutaram nas ruas e telhados de Rafah, com lançadores de granadas e metralhadoras. Uma trégua foi acordada na segunda-feira, mas rapidamente interrompida, com a violência voltando a crescer no norte de Gaza. Na quarta-feira, os combates chegaram nas regiões central e sul de Gaza. Funcionários da ONU Os combates também atingiram a Cisjordânia, com tiroteios de metralhadora na cidade de Nablus, no norte. O correspondente da BBC Tim Franks foi levado por militantes do Fatah até o campo de refugiados de Balata, em Nablus, onde teve contato com reféns do Hamas. Os homens do Fatah prometeram "sangue por sangue" na Cisjordânia se os ataques do Hamas em Gaza não forem interrompidos. O Hamas divulgou seu próprio ultimato aos militantes do Fatah para que eles parem de lutar em Gaza até as 19 horas (horário de Brasília) de sexta-feira. O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que a idéia de uma força internacional de paz em Gaza deve ser considerada. Ban disse que tanto Abbas quanto o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, cogitaram a hipótese. Dois funcionários da ONU estão entre os mortos da quarta-feira. A ONU disse que vai temporariamente reduzir suas operações em Gaza. A comunidade internacional pressiona por um cessar-fogo e o diretor da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que o combate está arruinando a causa palestina.

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