Hamas e Israel pesam interesses ao ultrapassar limites

Análise: Douglas Hamilton e

O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h05

Nidal al-Mughrabi / Reuters

O movimento Hamas estava disposto a confrontar-se com Israel, pois seus líderes estavam eufóricos com a Primavera Árabe e competiam para ser os próximos mártires da causa palestina. Ou, de outra perspectiva, segundo políticos israelenses, uma ofensiva contra a Faixa de Gaza permitiria uma vitória fácil que garantiria a reeleição do governo do Partido Likud - do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu - em janeiro e, ao mesmo tempo, infligiria um golpe mortífero às pretensões palestinas de declarar um Estado na ONU.

Estas são as duas extremidades de um espectro de teorias entre israelenses e palestinos para tentarmos explicar o que impeliu os dois lados à segunda guerra em quatro anos.

As raízes desta crise podem ser encontradas numa série de limites que foram ultrapassados. Especificamente: no dia 10, foi disparado um míssil russo Kornet contra soldados israelenses; no dia 14, Israel assassinou o comandante-chefe do Hamas, Ahmed Jabari, depois que as duas partes pareciam ter concordado com um tácito acordo de trégua, e, no dia 15, o Hamas disparou foguetes sobre Tel-Aviv.

Israel retirou-se de Gaza há sete anos. Mas, entre 2008 e 2009, lançou uma operação militar de três semanas em Gaza. A Operação Chumbo Grosso provocou a morte de 1.400 palestinos e 13 israelenses e por um tempo levou à calmaria.

Agora, ambas as partes se acusam de "ultrapassar a linha vermelha". Analistas palestinos concordam que o entusiasmo do Hamas se deve ao fato de a Primavera Árabe ter derrubado as autocracias favoráveis ao Ocidente substituindo-as por governos islâmicos, principalmente no vizinho Egito.

O Hamas está ansioso para que sua legitimidade seja reconhecida por aqueles que considera títeres do Ocidente a fim de assumir a liderança moral do movimento nacional palestino na busca da paz com Israel, mas compartilha Gaza com grupos salafistas sempre determinados a usar a violência. Agora, o Hamas abandonou seus esforços para impedir que estes grupos continuem disparando foguetes contra Israel.

Ao fazer isso, tentou mudar "as regras do jogo", mas desencadeou uma ampla operação israelense para a qual os militares estavam preparados há tempos. "Embora eles achassem que as revoluções nos países árabes atendiam a seus objetivos e contribuiriam para fortalecer sua posição, não estavam procurando uma guerra com Israel, pelo menos não agora", disse uma fonte israelense.

Tudo o que sabemos sobre:
Paz inatingível

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.