Hamas está pronto para aceitar Israel

Um alto dirigente do Hamas disse nesta sexta-feira que o grupo está pronto para aceitar a solução de dois Estados para o conflito entre palestinos e israelenses. Contudo, o primeiro-ministro da palestino, Ismail Hanyie, disse não estar ciente de planos dos militantes islâmicos do Hamas para mudar sua plataforma radical. Isso, no entanto, não impediu o oficial do Hamas, que falou sob condição de anonimato, de afirmar que a idéia dos dois Estados será abordada por Hanyie em uma reunião nesta sexta-feira com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, de postura moderada e que propõe negociações com Israel. Hanyie disse à repórteres que iria discutir uma larga gama de assuntos com Abbas mas que "não há nada de novo sobre posições políticas" na plataforma de governo do Hamas. Mas, segundo o oficial do Hamas, o grupo está tentando diminuir a crescente pressão internacional sobre o novo governo palestino. "Hanyie deve anunciar a Abbas esta noite que o Hamas está disposto a aceitar a solução dos dois Estados como uma plataforma de seu gabinete". O oficial disse que o Hamas quer que Abbas, líder da Fatah, recomece as negociações de paz com Israel. Em troca, o Hamas pede que o presidente da AP restaure algumas das funções revogadas ao governo do grupo islâmico. Recentemente, Abbas tomou medidas para diminuir o poder do grupo radical. Na quinta-feira ele nomeou um antigo aliado para supervisar as forças de segurança palestina. Apesar das negativas do premier palestinos, o porta-voz do governo do Hamas, Ghazi Hamad, disse que Hanyie e Abbas podem chegar a um acordo sobre a questão dos dois Estados. "Isto acontecerá em breve", acrescentou Hamad. O ministro do Exterior palestino, Mahmoud Zahar, também sugeriu flexibilidade, dizendo que o Hamas quer saber mais da comunidade internacional sobre as implicações de solução que legitime os dois Estados. "Temos de perguntar a real questão e depois disso vamos discutir dentro do governo", disse Zahar ao jornal The Times, de Londres. "Vamos discutir com nosso presidente, com o conselho legislativo e depois disso talvez tenhamos que questionar a posição de nosso povo", acrescentou. Zahar pretende apresentar a plataforma dos dois Estados para o gabinete na segunda-feira, e afirmou que espera que ela seja aprovada. Pressão internacional Desde que o Hamas se recusou a atender as exigências da comunidades internacional - mais especificamente o reconhecimento de Israel, a renúncia à violência e o cumprimento de acordos de paz -, Estados Unidos, Canadá e a União Européia vêm ameaçando cortar todas as ajudas financeiras fornecida à Autoridade Palestina. Em Bruxelas, a União Européia (UE) já anunciou o corte da ajuda direta ao governo palestino. Os ministros da UE devem decidir na segunda-feira a questão da ajuda a longo prazo. "Por enquanto não serão feitos pagamentos para a Autoridade Palestina", disse a porta-voz da Comissão Européia, Emma Udwin. Hanyie e outros membros do Hamas criticaram a decisão afirmando que se trata de uma punição coletiva para os palestinos. Do lado israelense Apesar de sua retórica hostil, o Hamas vem honrando um cessar-fogo estabelecido com o Estado de Israel há mais de um ano. O jornal israelense Haaretz reportou que o grupo está se preparando para expandir a trégua e pressionará outros grupos militantes a fazerem o mesmo, caso Israel encerre os ataques contra a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Membros do Hamas confirmaram a notícia, dizendo que a proposta foi feita por mediadores egípcios. O Haaretz citou oficiais israelenses definindo a oferta como um "truque". O porta-voz do Ministério do Exterior de Israel, Mark Regev, rejeitou a tentativa do Hamas de mostrar uma postura moderada e classificou os membros do grupo de "ginastas verbais". "Não vejo indicações de que o Hamas esteja a caminho de cumprir as exigências internacionais. Eles só podem culpar a si próprios por esta situação", concluiu.

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