Hamas financia reconstrução

Mas bloqueio a Gaza impede entrada de cimento e tijolos

Sabrina Tavernise, NYT, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

O Hamas ajudará a financiar a reconstrução de casas destruídas nas três semanas de ataques israelenses contra a Faixa de Gaza. Autoridades do grupo palestino dizem que pelo menos 4 mil casas foram destruídas e outras 17 mil foram danificadas pelos bombardeios. Alguns moradores afetados pela guerra já começaram a receber até US$ 5 mil do grupo islâmico palestino. Mas, mesmo com o dinheiro no bolso, eles enfrentarão dificuldades para conseguir o mais importante: cimento, vidro, tijolos e aço.Israel tem proibido a entrada na Faixa de Gaza de materiais de construção, pois teme que o Hamas os utilize para reconstruir sua rede de túneis na fronteira com o Egito - por onde contrabandeia armas e munição - ou até mesmo para se rearmar, como aconteceu no ano passado, segundo Israel, quando o grupo palestino usou tubulações importadas para uma instalação de purificação de água para construir um novo arsenal de foguetes Kassam.Nos últimos dias, as autoridades israelenses apertaram ainda mais o cerco ao território palestino. Israel bloqueia todas as passagens para a Faixa de Gaza desde junho de 2007, quando o Hamas derrotou e expulsou do território as forças de segurança ligadas à Autoridade Palestina. Mas o que tem surpreendido tanto palestinos quanto as agências humanitárias internacionais envolvidas na reconstrução de Gaza, é o rigor adotado por Israel. O número de caminhões que recebem permissão para entrar na Faixa de Gaza caiu de 500 para 100, a maioria levando apenas medicamentos. "Como vamos reconstruir as casas, com plástico?", disse Cassandra Nelson, funcionária de uma ONG. O ministro do Bem-Estar e de Assuntos Sociais de Israel, Isaac Herzog, disse que seu governo "está ajudando totalmente na questão humanitária", mas "ainda está estudando" uma forma de permitir a entrada de outros suprimentos sem que isso represente uma oportunidade militar para o Hamas.Com as restrições impostas por Israel, a única alternativa para a entrada de material de construção e ajuda humanitária na Faixa de Gaza seria os túneis na fronteira com o Egito, que conseguiram evitar o total isolamento do território depois que o Hamas chegou ao poder. Muitos túneis foram destruídos nos 22 dias de ofensiva israelense, mas o Hamas já retomou a reconstrução de vários deles.O coordenador de ajuda humanitária da ONU em Gaza, Maxwell Gaylard, disse que "espera por uma resposta mais generosa de Israel". Segundo ele, os palestinos "têm passado por momentos difíceis" desde o início do bloqueio.

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