Hamas lança ultimato; Fatah denuncia golpe

Grupo islâmico ameaça expulsar partido do presidente palestino da Faixa de Gaza

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

O grupo islâmico Hamas exigiu nesta terça-feira, 12, que todas as forças de segurança subordinadas ao partido laico Fatah abandonem as posições que ocupam na Faixa de Gaza, e ameaçou atacar e eliminar aqueles que mantiverem seus postos. Nas últimas horas, várias posições do Fatah na região foram tomadas por membros do Hamas. A violência, que ganhou força na manhã de segunda-feira, 11, já deixou ao menos 17 mortos, e ameaça erodir o já frágil governo de união nacional formado por membros do Fatah e do Hamas. No controle do parlamento palestino desde janeiro de 2006, o grupo islâmico - considerado terrorista pelos EUA e União Européia - aceitou em março deste ano formar uma coalizão de poder com o Fatah, com o objetivo de conquistar legitimidade internacional. No entanto, para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, o Hamas tenta agora tomar o controle da Faixa de Gaza pela força. Um importante membro do Fatah no norte da Faixa de Gaza está entre os mortos dos últimos confrontos. "Todos as informações (em nosso poder) indicam que a tendência dos dirigentes políticos e militares do Hamas é a de realizar um golpe contra as legítimas instituições. Isso significa que eles poderão tomar o controle em Gaza pela força", afirma um comunicado emitido pela Presidência palestina. Rádios ligadas ao Hamas alertaram que o braço armado do grupo já assumiu o controle de instalações de segurança no norte e no centro de Gaza, assim como na cidade sulista de Khan Younis. Ultimato Em um dos incidentes desta terça-feira, o Hamas alertou pelos alto-falantes de uma mesquita que atacaria a sede do Serviço de Segurança Preventiva, na Cidade de Gaza. A força é leal ao Fatah. "O prazo que demos para que vocês se rendessem expirou. Nós atacaremos essa posição de colaboradores sionistas", avisou o Hamas. Pouco depois, disparos foram ouvidos no local. As instalações, a cargo de efetivos de segurança leais ao presidente da ANP, foram abandonadas pelos funcionários, que acusavam o Irã de estar por trás da estratégia adotada pelos extremistas islâmicos. Nos meios do Hamas, a justificativa para a violência era a acusação de que Abbas é "um agente dos judeus". Um porta-voz do Fatah, ligado ao presidente Abbas, disse que o Comitê Central do partido irá se reunir às 14h (horário de Brasília) para decidir se continuará ou não no governo de unidade formado com o Hamas em março. No norte da Faixa de Gaza, cerca de 200 milicianos do Hamas atacaram a sede de um dos órgãos de segurança a serviço da ANP situado a leste do campo de refugiados de Jebalia, onde 500 agentes do Fatah prestam serviço Os islamitas utilizaram morteiros e lança-granadas. Um dos oficiais do Fatah no quartel, Haled Awad, disse que os homens do Hamas estavam "atirando de todos os lados". Lideranças A nova onda de violência faccional que atinge a Faixa de Gaza traz um elemento novo, que pode acirrar ainda mais ânimos entre os grupos rivais que controlam a política da região. Além de posições militares, importantes lideranças de ambos os lados foram vítimas das investidas. Nem o premiê palestino, Ismail Haniyeh, escapou de uma tentativa de assassinato, segundo fontes do Hamas. Na Cisjordânia, o ministro dos Transportes palestino e membro do Hamas, Faidi Shabaneh, foi seqüestrado por integrantes do Fatah. O seqüestro ocorreu em Ramallah, na Cisjordânia. O episódio traz à tona o temor de que a violência também se espalhe para os territórios palestinos a leste do Rio Jordão. Mais cedo, uma granada propelida por foguete atingiu a casa de Haniyeh, filiado ao Hamas. Apesar dos danos ao imóvel, o primeiro-ministro e seus familiares não ficaram feridos. O Hamas qualificou o ataque como uma tentativa de assassinato contra Haniyeh, que mora no campo de refugiados de Shati, em Gaza. Os confrontos entre integrantes do Fatah e do Hamas foram retomados no fim de maio, depois de várias semanas de calmaria. Hospitais A violência entre facções palestinas também chegou a um hospital do sul da Faixa de Gaza, onde milicianos do Fatah e do Hamas trocaram tiros. Insurgentes do Hamas estariam impedindo o atendimento ao feridos do Fatah. Este já é o terceiro centro médico controlado pelos militantes islâmicos desde o início da violência. Na segunda-feira, incidentes semelhantes foram registrados no Hospital Shifa - o mais movimentado da Cidade de Gaza - e no da localidade de Beit Hanoun. Segundo fontes do Hamas citadas pelo jornal israelense Haaretz, as ações visam impedir que feridos ligados ao grupo islâmico sejam vítimas de atentados organizados por homens leais ao Fatah. Desde segunda-feira e até o começo das negociações para um novo cessar-fogo entre o Fatah e o Hamas, ao menos 17 moradores de Gaza morreram, entre eles uma mulher e três adolescentes de uma mesma família, além do sobrinho do ex-líder do Hamas Abdel Aziz Rantissi, assassinado em 2004 em um ataque da Força Aérea israelense. Matéria ampliada às 12h48

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