Hamas manterá violência se Israel não desocupar terras

O líder do grupo militante palestino Hamas, Khaled Mashaal, rejeitou os pedidos internacionais para que renunciasse à violência afirmando que, primeiro, Israel deve deixar todas as terras ocupadas. Em entrevista ao jornal russo Nezavisimaya Gazeta nesta segunda-feira, Mashaal disse que Moscou tomou um passo importante ao convidar os líderes do Hamas ao país para conversas este mês."A Rússia foi o primeiro país do Quarteto do Oriente Médio a respeitar a escolha feita pelo povo palestino e deixou claro mais uma vez que não considera o Hamas um movimento extremista e terrorista. Nós apreciamos profundamente essa postura", afirmou Mashaal.Os outros membros do chamado Quarteto do Oriente Médio, os Estados Unidos, a União Européia e as Nações Unidas, insistiram que não negociariam com uma Autoridade Palestina liderada pelo Hamas. Eles ameaçaram reter centenas de milhares de dólares em ajuda, que o governo palestino desesperadamente precisa, caso o grupo não reconheça Israel e renuncie à violência.O convite to presidente Vladimir Putin para que o Hamas viesse à Moscou surpreendeu Israel. A Rússia afirmou que pressionará o Hamas, que inesperadamente ganhou as eleições na Palestina no mês passado, a reconhecer o direito de Israel de existir e negar a violência. Mas o Hamas, responsável por vários ataques contra israelenses, recusou-se a desistir dos pedidos de destruição de Israel ou de entregar suas armas, apesar da decisão de cessar fogo declarada há um ano atrás. "Se Israel reconhecer nossos direitos e se comprometer a deixar todas as terras ocupadas, então o Hamas, assim como o povo palestino, tomará a decisão de parar com a resistência armada".Em um esforço para não provocar Moscou - uma vez que Washington procura apoio russo para aumentar a pressão internacional sobre o programa nuclear do Irã - Israel assinalou que não desencadearia uma crise com a Rússia por sua intenção de convidar lideres do Hamas para conversas.Um ministro de gabinete acusou Putin de "apunhalar Israel pelas costas". O embaixador russo na ONU, Andrei Denisov, comentou sobre a questão no jornal Izvestia: "Na História existem muitos exemplos de radicais que chegam ao poder e adotam uma postura mais realista e construtiva. Esperamos que o Hamas mostre bom senso", concluiu.

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