Atef Safadi/Reuters
Atef Safadi/Reuters

Hamas não foi consultado sobre proposta de Estado palestino

Líderes da facção dizem que investida na ONU é 'passo individual' de Mahmoud Abbas, segundo jornal

estadão.com.br

12 Setembro 2011 | 16h45

JERUSALÉM - As investida da Autoridade Palestina (AP) para conseguir o reconhecimento do Estado palestino na Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro foi organizada sem que o Hamas, facção que controla a Faixa de Gaza, fosse consultado, disseram integrantes do partido nesta segunda-feira, 12, informa o jornal israelense Haaretz.

 

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De acordo com a agência de notícias Ma'an, citada pelo jornal, líderes de diversas facções palestinas emitiram diferentes opiniões sobre a questão do Estado na ONU. Os representantes do Hamas e da Jihad Islâmica, outro grupo radical, se posicionaram contra os esforços, por exemplo.

 

Mahmoud Zahar, um dis líderes do Hamas, disse que o projeto da AP não representa a Faixa de Gaza, argumentando que "ninguém perguntou aos habitantes de Gaza para tomar as ruas em solidariedade às causas a serem expostas na ONU em setembro". "Se a AP pedisse isso, nós nos oporíamos porque eles detêm pessoas na Cisjordânia. Como posso dar-lhes o direito de se manifestar em Gaza, se eles não dão o mesmo direito em seu território", questionou.

 

Outro líder do Hamas afirmou que os esforços para o reconhecimento do Estado palestino na ONU é "um passo individual tomado pelo presidente Mahmoud Abbas, que não consultou nenhuma outra facção". Abbas é do Fatah, partido que controla a Cisjordânia e a AP.

 

No mês passado, membros do Fatah afirmaram que Abbas tentou "esfriar" as recém retomadas relações com o Hamas por conta da desaprovação do Ocidente ao pacto. "A oposição internacional à reconciliação surpreendeu o presidente, então ele decidiu desacelerar o processo até setembro" para evitar a perda de apoio na ONU, disseram as fontes sob condição de anonimato.

 

O acordo entre as duas principais facções palestinas ocorreram depois que milhares de jovens, inspirados nas outras revoluções da região, tomaram as ruas de Gaza e da Cisjordânia em maio pedindo o fim das rusgas entre os dois governos.

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