Hamas oferece cessar-fogo dias após cancelar trégua com Israel

O movimento islâmico Hamas declarou nesta quinta-feira que planeja retomar sua trégua com Israel. O anúncio acontece dias depois do grupo ter anunciado o fim de um cessar-fogo de 16 meses com o Estado Judeu, em decorrência da morte de nove palestinos em um suposto ataque israelense a uma praia de Gaza, no último dia 8. Israel deu uma resposta favorável, assinalando que os dois lados estão preparados para voltar atrás e com isso evitar um conflito maior. Uma membro de alto escalão do Hamas disse que o grupo entrou em contato com militantes de Gaza para tentar acabar com os ataques contra Israel, o que conseqüentemente colocará fim à artilharia de retaliação das forças áreas israelenses. A trégua, declarada em fevereiro de 2005, reduziu significativamente a violência entre palestinos e israelenses. Os conflitos já causaram a morte de mais de 3 mil pessoas nos quatro anos antecedentes. O deputado e porta-voz do Hamas, Sami abu Zuhri, desmentiu que o grupo tenha declarado uma trégua de uma semana com Israel, caso os israelenses deixassem de usar a Força Aérea contra os líderes políticos do grupo. O ataque à praia de Gaza no último dia 8 matou oito civis. Apesar das evidências, Israel negou ter sido responsável pela explosão.Após o atentado, Hamas atacou Israel com dezenas de foguetes, junto com militantes da Jihad Islâmica e outros movimentos. Boa parte dos foguetes lançados atingiram a cidade de Sderot, localizada próxima a Gaza. Um morador da cidade ficou gravemente ferido em decorrência dos ataques."É muito claro para nós: estamos interessados em manter a situação tranqüila, especialmente na Faixa de Gaza", declarou o porta-voz do Hamas Ghazi Hamad nesta quinta-feira. "Nós temos contatos com as facções palestinas. Nós estamos prontos para fazer isso (a trégua) mas (somente) se os israelenses tiverem uma verdadeira intenção de responder positivamente ao chamado para acabarmos com as agressões". Líderes exiladosA iniciativa da trégua recebeu o apoio de poderosos líderes do Hamas que estão no exílio. Em Damasco, o deputado do Hamas Moussa Abu Marzouk disse à AP: "Se Israel concordar em parar de atingir civis, então (o Hamas) mostrará uma posição favorável". Israel respondeu ao gesto. "Se eles ficarem quietos, nós vamos responder quietos também", disse Mark Regev, porta-voz do Ministro das Relações Exteriores de Israel.O conflito com Israel complica a situação do Hamas, que está sob intensa pressão internacional para agir de maneira moderada e luta internamente contra a rival Fatah, movimento liderado pelo presidente Mahmoud Abbas. Em Tulkarem, um povoado da Cisjordânia, depois do anoitecer desta quinta-feira, dezenas de homens armados da Fatah invadiram um prédio onde legisladores palestinos têm escritórios. O prédio estava cheio no momento da investida.Desde que o Governo do Hamas assumiu o gabinete palestino em março, Israel e doadores ocidentais cortaram centenas de milhões de dólares de ajuda aos palestinos, rotulando o Hamas como um grupo terrorista. Eles exigiram que o Hamas renunciasse à violência e reconheça Israel. O Hamas rejeita as demandas, voltando-se aos países árabes e muçulmanos para angariar os fundos. Dinheiro na malaNesta quinta-feira outro ministro palestino foi barrado com US$ 2 milhões na bagagem ao tentar entrar em Gaza. Esta é a segunda vez em dois dias que um funcionário do Hamas é pego ao com uma grande quantidade de dinheiro não declarado. O dinheiro na mala de Youssef Rizka sinaliza que Hamas trava uma nova batalha contra as sanções internacionais. O grupo alega que todo o dinheiro veio de doações privadas, e não de governos. De qualquer forma, monitores europeus que trabalham na fronteira, e temem que o dinheiro possa ser usado para a realização de atos violentos, repreenderam a ação.O porta-voz dos monitores, Julio De La Guardia, disse que carta foram mandadas aos palestinos pedindo para que toda pessoa que passe por Gaza declare fundos acima de US$ 2 mil. "A quantidade exata deve ser declarada, bem como a origem e o destino do dinheiro. Isso deve ser feito com objetivo de implementar medidas internacionais na região", disse De La Guardia. Funcionários do Hamas afirmam que o dinheiro trazido por Rizka é proveniente de doações privadas e de instituições de caridade islâmicas. Rizka voltou a Gaza depois de uma viagem ao Qatar, a Arábia Saudita e ao vizinho Egito. Um dia antes, o ministro das Relações Exteriores, Mahmoud Zahar, entrou em Gaza, após passar por países muçulmanos, com US$ 20 milhões numa mala. E declarou: "O dinheiro é nosso", disse Hamad, porta-voz do governo.

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