Hamas paga salários atrasados de 90 mil funcionários

Apenas alguns dias depois de líderes do Hamas terem entrado na Faixa de Gaza com malas cheias de dinheiro, o ministro das Finanças da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Omar Abdel-Razeq, anunciou que seu Ministério começará a pagar a partir desta segunda-feira 90 mil funcionários públicos que recebem menos de US$ 500 por mês.Abdel-Razeq confirmou que seu ministério começou a pagar somas de US$ 300 aos funcionários da ANP que têm os salários mais baixos.O dinheiro teve de ser distribuído por intermédio de contas postais especiais porque os bancos locais temem represálias internacionais caso venham a lidar com o dinheiro do Hamas, grupo considerado "terrorista" pelos Estados Unidos, União Européia (UE) e Israel.O ministro fez o anúncio durante uma entrevista coletiva realizada na segunda-feira na cidade cisjordaniana de Ramallah, junto com Khalid Suleiman, porta-voz do Hamas, e o deputado Khalid Said.O ministro da ANP expressou sua confiança em que existem soluções para a atual situação de crise financeira nos territórios da Cisjordânia e de Gaza, especialmente após a decisão de a UE buscar um mecanismo alternativo para fazer chegar as ajudas aos palestinos.Acrescentou que a quantia que atualmente Israel retém à ANP como agente de retenção de impostos e pagamentos alfandegários está entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões, que, disse, seria suficiente para resolver a falta de pagamento dos salários dos funcionários nos últimos três meses.Por enquanto, não se sabe quando os outros 50 mil funcionários públicos da ANP receberão salários ou alguma ajuda por parte do governo, cujos salários superam os US$ 500 por mês.Protestos Enquanto isso, a medida anunciada nesta segunda-feira por Abdel-Razeq vem gerando protestos em Gaza de funcionários e parentes, que exigem o pagamento de todos os meses atrasados.Centenas de pessoas, na maioria mulheres, se concentraram hoje em frente à sede do Conselho Legislativo palestino em Gaza para exigir os pagamentos dos salários de todos os funcionários.O primeiro-ministro da ANP, Ismail Haniye, teve que sair do local após ser acusado de mentiroso pelos manifestantes, que gritaram insultos e exigiram o pagamento imediato dos salários dos funcionários públicos, disseram testemunhas. Situação delicada Alvo de um boicote internacional, o Hamas não consegue pagar os salários da maior parte dos cerca de 165 mil servidores da ANP desde março, quando assumiu o governo. O governo é o principal empregador nos territórios palestinos. A ausência de pagamento vem agravando a crise humanitária na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.Doadores estrangeiros interromperam o envio de centenas de milhões de dólares em ajuda aos palestinos enquanto o Hamas não renunciar formalmente à violência nem reconhecer o direito de existência de Israel.Os EUA têm ameaçado impor sanções aos bancos que fizerem negócios com o governo do Hamas, o que impede a transferência eletrônica do dinheiro arrecadado pelo grupo.Na semana passada, líderes do Hamas retornaram de viagens ao exterior com US$ 22 milhões na bagagem. O dinheiro foi arrecado junto a doadores particulares e a entidades assistenciais e entregue imediatamente ao governo para pagar os funcionários.

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