Hamas promete "esbofetear" Sharon pela morte de militantes

O movimento palestino Hamas, após o assassinato nas últimas 24 horas de dois de seus homens pelo Exército israelense, ameaçou, nesta segunda-feira, "esbofetear a cara de (Ariel) Sharon", enquanto em Israel renunciavam dois ministros em protesto contra a retirada de tropas israelenses de zonas ocupadas. O Hamas ameaçou vingar com ataques suicidas a morte de seus homens em consequência da política de "assassinatos seletivos" do Exército israelense, decididos no mais alto nível do governo. A ameaça foi transmitida pelo porta-voz do grupo militante, Abdel Salam al-Rantisi, numa entrevista concedida à rede de televisão árabe Al-Jazeera. Ele acrescentou que "houve operações do Hamas, como o ataque à pizzaria, que contiveram Sharon e o impediram de continuar com seus pecados". Rantisi se referia ao atentado suicida à bomba contra a pizzaria Sbarro, no centro de Jerusalém, em 9 de agosto último, no qual morreram 18 pessoas e mais de 80 ficaram feridas. O atentado foi reivindicado pelas "Brigadas al-Quds", o braço militar do grupo Jihad Islâmica. O porta-voz reiterou que o Hamas vai vingar a morte de Ahmed Marshoud, na manhã desta segunda-feira, em Nablus, Cisjordânia, e a de Abdel Rahman Hammad, assassinado neste domingo por franco-atiradores israelenses. A nova "execução seletiva" de Marshoud, de 34 anos, também levou o Hamas a declarar que não pode mais "garantir" uma trégua com os israelenses. Segundo a agência de notícias palestina Wafa, Marshoud foi assassinado na manhã desta segunda, na explosão de um carro-bomba, nas proximidades do campo de refugiados de Balata, que também feriu outros três palestinos. Entretanto, a Rádio Militar de Israel informou que o carro de Marshoud foi alvo de um míssil disparado de um helicóptero de combate. Domingo, Hammad foi assassinado por franco-atiradores isralenses na varanda de sua casa em Qalqilya, também na Cisjordânia. O presidente do Parlamento palestino, Ahmed Qureia, condenou duramente nesta segunda a retomada dos "assassinatos seletivos", que Israel havia suspendido no último mês. "Se Israel não parar com esses assassinatos, decididos no mais alto nível, não poderemos garantir o cessar-fogo pela parte palestina", advertiu Qureia. Enquanto isso, em Israel, a retirada na madrugada desta segunda-feira de tropas do Exército de zonas autônomas ocupadas há dez dias em Hebron continua sendo motivo de grande polêmica. A transferência de controle dos bairros de Abu Sneineh e Harat a-Sheikh à Autoridade Palestina foi feita em meio a violentos protestos de dezenas de colonos judeus, que enfrentaram soldados e policiais. Vinte e três foram brevemente detidos. A manifestação dos colonos judeus se somou à renúncia de dois ministros do Partido da União Nacional - entre eles Avigdor Lieberman, da Infra-Estrutura. Para os dois, a retirada de Hebron foi apenas um pretexto para abandonarem o governo Sharon. O verdadeiro objetivo, segundo Lieberman, é "rechaçar a iniciativa dos Estados Unidos" que o presidente George W. Bush disse que irá anunciar para solucionar o problema do Oriente Médio. E também forçar a renúncia do chanceler israelense Shimon Peres, porque "enquanto ele continuar à frente da política externa de Israel, com sua experiência e estatura internacional, não haverá possibilidade de se opor à iniciativa norte-americana". Peres, numa visita à capital checa, Praga, respondeu indiretamente à declaração de guerra. Ele disse que viajará na próxima semana aos Estados Unidos para "reforçar a coordenação" diplomática entre Israel e a administração Bush. Peres reuniu-se neste domingo com Qureia, presidente do parlamento palestino, e com o negociador-chefe, Saeb Erekat, para discutir o reforço da trégua acerta em 26 de setembro último. O chanceler conversou com os dois sobre as medidas para reduzir os bloqueios nos territórios palestinos.

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