Hamas promete vingança por assassinato de líder militar

O grupo militante islâmico Hamas ameaçou neste sábado desencadear uma reação sangrenta ao assassinato do líder de seu braço militar e de dois ativistas na Cisjordânia, em um ataque de helicópteros israelenses. Dezenas de milhares de palestinos participaram da procissão fúnebre gritando "Sharon, espere, a revanche virá em breve", numa referência direta ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon. Homens armados dispararam para o alto em homenagem aos mortos enquanto manifestantes agitavam bandeiras do Hamas, da Jihad Islâmica, da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e de outros grupos militantes. O líder do Hamas em Nablus, Teissir Imran, disse para a multidão: "Sharon abriu as portas do inferno para ele e para seu povo!" O assassinato de Mahmoud Abu Hanoud, acusado de ser o mentor intelectual de diversos ataques suicidas contra Israel desde 1997, deve conturbar ainda mais o Oriente Médio num momento no qual os Estados enviam uma nova missão de paz para a região. O governo israelense admitiu ter realizado o ataque. O ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, classificou Abu Hanoud como um "terrorista profissional" responsável pela morte de dezenas de israelenses e alegou que Israel agiu em "defesa própria" ao assassiná-lo. Em pronunciamento na Rádio Israel, Peres disse ainda que Abu Hanoud, de 34 anos, planejava realizar novos atentados. Nabil Abu Irdeineh, um assessor do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, acusou Israel de tentar sabotar os esforços de paz dos Estados Unidos ao matar Abu Hanoud. Mais tarde, um soldado israelense morreu e outro ficou ferido num ataque de morteiro na Faixa de Gaza, horas depois de dezenas de milhares de palestinos jurarem vingança no funeral de Abu Hanoud. O israelense foi assassinado em Kfar Darom, um assentamento judaico na Faixa de Gaza, informou uma fonte. Dois mediadores - o subsecretário de Estado dos EUA, William Burns, e o general da reserva da Marinha Anthony Zinni - deverão chegar ao Oriente Médio na segunda-feira. A missão deles será reativar uma trégua e reiniciar as negociações de paz.

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