Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Hamas propõe diálogo com Ocidente

Falando a Obama, líder do grupo na Síria, Khaled Meshal, defende fim do bloqueio israelense à Faixa de Gaza

Reuters, Damasco, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

O líder político do Hamas exilado em Damasco, Khaled Meshal, pediu a ajuda dos líderes ocidentais para acabar com o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza. Em discurso transmitido por redes de TV árabes na quarta-feira, Meshal se dirigiu ao novo presidente americano, Barack Obama, e a líderes europeus, dizendo que "é uma vergonha proibir armas para a resistência palestina".Segundo ele, o Ocidente deve aprender a lição e perceber que é impossível destruir seu grupo. "Três anos tentando eliminar o Hamas é o suficiente. É hora de negociar com o Hamas, que ganhou legitimidade por meio da luta", afirmou.Em seu discurso de posse, Obama afirmou que falará com inimigos, mas não se pronunciou especificamente sobre o Hamas. O quarteto de mediação para o Oriente Médio, formado por EUA, União Europeia, Rússia e ONU, diz que não pode haver diálogo com o grupo palestino enquanto ele não reconhecer o Estado de Israel, renunciar à violência e aceitar acordos interinos assinados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP).Meshal também conclamou os países "amigos" da América Latina a apresentar denúncias contra o "inimigo sionista" em tribunais internacionais. Aos países árabes, o líder do Hamas expressou seu agradecimento pelo apoio. Durante o discurso, Meshal afirmou ainda que seu grupo conquistou uma "grande vitória" contra Israel, que "teve de declarar um cessar-fogo sem impor qualquer condição à resistência".Entretanto, em mais uma demonstração de como o grupo está dividido, o porta-voz do Hamas no Líbano, Osama Hamdan, criticou as primeiras declarações de Obama. "Ele começou mal. Ele insiste em não mudar nada. Pelo jeito, os próximos anos serão como os últimos quatro", disse Hamdan à TV Al-Jazira.HILLARYOntem, em conversa por telefone ontem com a nova secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que seu país fará de tudo para combater o tráfico de armas do Hamas em Gaza. Há relatos, entretanto, de que os túneis entre a Faixa de Gaza e o Egito usados para contrabando estão sendo refeitos, após terem sido atacados pela aviação israelense (leia na página 16).Segundo relatos de funcionários, Olmert completou dizendo que Israel está "interessado no avanço do processo de paz no Oriente Médio e deseja contribuir com o esforço para que ajuda humanitária chegue aos habitantes de Gaza". "Suas habilidades, seus talentos e sua experiências contribuirão", teria dito Olmert a Hillary.A secretária de Estado também falou por telefone com a chanceler de Israel, Tzipi Livni. Segundo sua assessoria, Tzipi disse que nenhuma forma de legitimidade pode ser concedida ao Hamas pela comunidade internacional. "Hamas é o inimigo da paz na região", disse Tzipi.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.