Hamas propõe trégua em entrevistas à mídia de Israel

Levando sua mensagem para um Estado que não reconhecem, o primeiro-ministro da Autoridade Palestina (AP) e o principal porta-voz do Hamas falaram a dois dos principais meios de comunicação israelenses.Em entrevistas distintas, o premier palestino, Ismail Haniye, e seu secretário de gabinete, Ghazi Hamad, disseram que o Hamas aceitaria firmar uma trégua de longo prazo com Israel. Ambos mantiveram, no entanto, uma postura evasiva quanto a possibilidade de reconhecer o Estado Judeu e renunciar a violência.O repórter de assuntos árabes do jornal Haaretz, Danny Rubinstein, que entrevistou Haniye, disse ter sido recebido pelo primeiro-ministro palestino sem uma data marcada, um gesto raro em se tratando da mídia israelense.Segundo Rubinstein, a mudança de postura leva a crer que o Hamas tem por objetivo falar diretamente ao povo israelense."Se eles querem negociar conosco em um nível diário e prático, então é possível que cheguemos a um acordo", disse Rubinstein. "Pode ser chocante, mas tive a impressão de que o inimigo (Haniye) manteve as boas-maneiras e sorriu muito."Também nesta terça-feira, o secretário do gabinete de governo palestino, Ghazi Hamad, foi entrevistado pela rádio pública israelense. E deixou claro que o reconhecimento do Estado israelense ainda continua fora da agenda do Hamas. Isso porque, argumentou Hamad, Israel nunca reconheceu um Estado palestino, as "fronteiras de 1967" e as linhas do Armistício de Rodas (1949), vigentes antes da guerra daquele ano.Portanto, concluiu o porta-voz, o Governo do Hamas não tem por que reconhecer Israel, o que é exigido pelos membros do Quarteto - Estados Unidos, União Européia (UE), Rússia e ONU."Até agora, não conversamos sobre o reconhecimento, mas se Israel concordar com uma retirada, então talvez isso seja possível", disse Hamad.O chefe de gabinete palestino se mostrou cético frente às promessas do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que apresentará nesta terça-feira ao presidente americano, George W. Bush, em Washington, seus planos para uma retirada negociada ou unilateral da Cisjordânia, e sua aceitação de um Estado palestino "ao lado de Israel", segundo a vontade da comunidade internacional."Olmert quer ficar com os assentamentos judaicos em 65% da Cisjordânia e com Jerusalém. Estas não podem ser as bases para negociar", afirmou o porta-voz do Governo do Hamas. Guerra civilTambém em declarações nesta terça-feira, Haniye disse que a violência em Gaza "não chegará a desencadear uma guerra civil".O primeiro-ministro do Hamas baseou sua afirmação no fato de que "nenhuma das organizações (palestinas) está interessada em uma guerra fratricida".A declaração foi feita um dia antes do início das deliberações do "diálogo nacional" entre todas as 13 facções da resistência palestina. O presidente da AP e líder do grupo oposicionista Fatah, Mahmoud Abbas, participará do encontro.Para Haniye, o movimento islâmico Hamas, que ganhou as eleições legislativas de 25 de janeiro em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, e a Fatah "superarão suas divergências como no passado".

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