Hamas publica o programa político de seu futuro Governo

O Hamas publicou nesta noite o programa político de seu futuro governo, que enviou ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e a todos os dirigentes dos partidos representados no Parlamento palestino. O Hamas se compromete, no primeiro e no segundo parágrafo do texto, a "acabar com a ocupação (dos territórios palestinos por Israel), proteger o direito ao retorno e à resistência, e a construir um Estado independente soberano tendo Jerusalém como capital". Além disso, se esforçará para "libertar os prisioneiros" e para enfrentar as forças de ocupação - especialmente o controle israelense sobre Jerusalém, a anexação dos vales e a expansão dos assentamentos judaicos. A organização disse ainda que lutará para "derrubar o muro de separação ´apartheid´ na Cisjordânia". O Hamas ressalta que "a resistência em todas as suas formas é o direito legítimo dos palestinos para pôr fim à ocupação e recuperar os direitos nacionais palestinos". Mas, o Hamas apenas considerará promover negociações se Israel se retirar da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Reformas A organização islâmica garantiu que irá implementar "reformas gerais destinadas a construir instituições democráticas que garantam justiça, igualdade, participação, pluralismo político, o império da lei, a divisão de poderes, a independência do sistema jurídico e as liberdades do indivíduo". Em particular, buscará a construção de "instituições nacionais baseadas no profissionalismo e livres do clientelismo". Quanto aos acordos entre a ANP e as forças israelenses, "o governo tem o direito de reconsiderá-los levando em consideração o respeito ao direito internacional". Finalmente, se compromete a proteger a independência dos palestinos na tomada das decisões, a cultivar as relações com as demais nações árabes e islâmicas, e a respeitar o resto dos Estados do mundo. Ministérios Por sua vez, o novo primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh revelou hoje que, no próximo governo, terá 16 ministros, de um total de 24, que não são deputados. Segundo analistas políticos palestinos, caso o movimento nacionalista Fatah, liderado por Abbas, decidir não fazer parte do governo, o Hamas manterá o controle dos ministérios do Interior, de Exteriores e das Finanças. O Hamas informou hoje às demais facções palestinas que estas têm até a segunda-feira para decidir se fazem ou não parte de um novo governo de união nacional palestino, que será provavelmente anunciado nesta semana. Segundo a lei, Haniyeh tem até o próximo dia 28 para formar o Executivo. O Hamas não precisa formar um governo de coalizão pelo fato de ter vencido as eleições de 25 de janeiro por maioria absoluta, mas está interessado em criar uma liderança palestina unida e que inclua todas as facções. Enquanto isso, o Hamas continua suas intensas negociações com o Fatah, a segunda maior força no Parlamento, para que se una ao governo.

Agencia Estado,

11 Março 2006 | 23h08

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