Hamas quer governo de união para enfrentar crise

O governo do Hamas renovou neste domingo seu chamado para uma "coalizão de unidade nacional" com facções rivais em mais uma tentativa de enfrentar a escalada dos problemas que enfraquecem sua liderança, especialmente a crescente tensão com o presidente Mahmoud Abbas, da Fatah. A situação é extremamente difícil para o recém-empossado governo do Hamas, principalmente no campo financeiro. Sanções econômicas impostas por Israel e países ocidentais minaram as reservas palestinas, e os salários de 140 mil servidores públicos estão atrasados em mais de duas semanas, o que tem gerado constantes protestos. "Reafirmamos que a idéia de formarmos um governo de unidade nacional está em consideração, e a porta está aberta para a Fatah", disse o porta-voz do governo, Ghazi Hamad. Dirigentes da Fatah, entretanto, têm rejeitado tais ofertas desde que o Hamas saiu vencedor das eleições legislativas de janeiro. A Fatah não compareceu a reunião deste domingo. Recentemente, o primeiro-ministro Ismail Haniye, do Hamas, acusou Abbas de tentar desestabilizar o governo. Abbas classificou a acusação como "inaceitável". Com o agravamento da situação financeira, a crise se espalhou para as ruas. Em protesto contra os salários atrasados, policiais fecharam ruas e cercaram prédios públicos nos últimos dias. Boa parte da força de segurança mantém-se leal à Fatah, que comandou a Autoridade Nacional Palestina de 1994 até as eleições de janeiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.