Hamas quer pressa na formação de governo nacional

O Hamas quer que as negociações entre os partidos palestinos para a formação de um governo de união nacional sejam concluídas em breve, para pôr fim "às pressões internacionais", segundo o porta-voz do Executivo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ghazi Hamad."Queremos formar um governo de unidade o mais rápido possível,para excluir a possibilidade de imposição de pressõesinternacionais", afirmou Hamad, garantindo que as três semanas deprazo concedidas por lei para a formação do novo Executivo não serão ultrapassadas.O porta-voz espera que os Estados Unidos mudem de postura emrelação ao novo gabinete, pois "será difícil para Washington opor-seao futuro Executivo, caso perceba que seus aliados o apóiam".Segundo Hamad, na próxima semana, as principais questõespendentes já terão sido resolvidas, inclusive a de quem ficará acargo do Ministério do Interior, que controla os órgãos deSegurança.Por enquanto, "o primeiro-ministro Ismail Haniyeh conversou comtodas as facções, inclusive com aquelas que não querem participar da coalizão", e todas expressaram seu apoio à formação de um governo de unidade, de acordo com o porta-voz.Pressões internacionaisIsrael, EUA e União Européia (UE) concordaram, na semana passada, que não reconhecerão o novo governo palestino a menos que este cumpra as exigências propostas pelo Quarteto de Madri (EUA, UE, ONU e Rússia) ao Hamas depois de sua chegada ao poder, em janeiro de 2006.As exigências dão conta de que o governo palestino reconheça clara e explicitamente o Estado judeu de Israel, aceite os acordos de paz já assinados e ponha fim à violência.O Hamas rejeita estas condições, e isso pode fazer com que o Estado palestino recuse os pedidos externos.Na segunda-feira, o encontro entre a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, terminou com poucos sinais de progressos na direção do reinício de um processo de paz.Na quarta, União Européia, Estados Unidos, ONU e Rússia se reuniram para discutir as possíveis sanções para o Estado palestino governado conjuntamente pelo Fatah e pelo Hamas.AcordoPelo acordo assinado em Meca, cujo objetivo é tentar encaminhar as partes a um processo negociador que culmine na criação de um Estado palestino, entre o Hamas e o movimento nacionalista Fatah, em 8 de fevereiro, as pastas serão divididas entre os dois grupos em função de sua representação parlamentar. Além disso, três ministérios serão destinados a representantes de grupos menores, e cinco para independentes.A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), o segundomaior grupo após o Fatah dentro da Organização pela Libertação daPalestina (OLP), rejeitou fazer parte do governo de união, alegando"razões políticas". Segundo os observadores, o motivo da recusa seria que o grupo esperava receber dois ministérios, e só obteve a oferta de um.Já a Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP)disse que sua decisão final dependerá das conversas que ocorrerãonos próximos dias.Por isso, o porta-voz do Fatah, Ahmed Abdel Rahman, fez um apeloa Haniyeh, para "buscar uma fórmula ampla, que assegure que todos os poderes possam se somar ao governo de unidade". Entretanto, Rahman frisou que o Fatah não criará obstáculos para a formação do novo governo.MinistériosEnquanto isso, segundo informações da imprensa, Salam Fayyad, um ex-funcionário do Banco Mundial (BM), do qual se consideraindependente, aceitou assumir o Ministério das Finanças do futuroExecutivo.Com a nomeação de Fayad, que esteve à frente deste Ministério naPresidência de Yasser Arafat, tenta-se fazer com que o Quarteto deMadri suspenda o boicote imposto ao Governo do Hamas.Por outro lado, Rahman disse hoje aos jornalistas que seu grupoprovavelmente nomeará Naser al-Kidwa, que já foi ministro deAssuntos Exteriores e representante da ANP nas Nações Unidas, para o cargo de vice-primeiro-ministro.

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