Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Hamas rebate Flávio Bolsonaro, a quem define como filho de extremista

'Jerusalém é um território ocupado, de acordo com o direito internacional, e ninguém, incluindo Jair Bolsonaro, tem o direito de legitimar a ocupação israelense', diz ex-ministro do grupo radical

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 17h20

O ex-ministro de Saúde do Hamas e presidente do Conselho de Relações Internacionais do grupo radical palestino, Basem Naim, rebateu nesta sexta-feira, 5, as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PSL) sobre o grupo, que nesta semana divulgou nota condenando a visita do pai dele, o presidente Jair Bolsonaro, a Israel

"O filho do extremista presidente brasileiro está atacando o Hamas porque rejeitamos o apoio ilimitado do novo governo brasileiro à ocupação israelense, que é uma contradição ao apoio histórico do Brasil ao povo palestino", escreveu Naim no Twitter, em um post que replica uma declaração do filho do presidente de que ele queria que "O Hamas se explodisse".

"Jerusalém é um território ocupado, de acordo com o direito internacional, e ninguém, incluindo Jair Bolsonaro, tem o direito de legitimar a ocupação israelense", acrescentou Naim. 

Ainda de acordo com o membro do Hamas, a política de Bolsonaro para Israel prejudica as relações históricas do Brasil com palestinos, árabes e muçulmanos. 

"As políticas dele (Bolsonaro) estão apenas desestabilizando a região", afirmou o membro do Hamas. "Esperamos que o corajoso povo do Brasil interrompa essas políticas perigosas."

Na terça-feira, Flávio Bolsonaro deletou o tuíte sobre o Hamas minutos depois de sua publicação.  O Hamas é considerado um movimento terrorista pelos Estados Unidos, e no passado praticou diversos atentados a bomba. O grupo também se tornou um movimento político e controla a Faixa de Gaza. Além disso, lança foguetes frequentemente contra o sul de Israel.

O grupo radical islâmico atacou na segunda-feira, 1º, a visita de Jair Bolsonaro ao Muro das Lamentações ao lado do premiê israelense Binyamin Netanyahu e pediu uma "reação unida" dos países árabes".

Condenação da visita de Bolsonaro

Em nota oficial publicada na terça-feira, o Hamas afirmou que a visita não apenas contradiz a histórica atitude do povo brasileiro de apoio à causa palestina, mas também viola leis internacionais.  “Essa política não ajuda a estabilidade e a segurança da região e ameaça os laços do Brasil com países árabes e muçulmanos”, diz a nota. “Em particular, o Hamas denuncia a visita do presidente brasileiro à Cidade Sagrada de Jerusalém acompanhada do primeiro-ministro de Israel.”

O grupo pede que o Brasil reverta sua política para a região e pede que a Liga árabe pressione o governo brasileiro para por fim ao apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.