Hamas rejeita proposta feita pelo Qatar

A iniciativa do governo do Qatar para solucionar uma crise interna nos territórios palestinos parecia fadada ao fracasso nesta terça-feira, depois de o grupo islâmico Hamas ter rejeitado as exigências de que reconheça Israel e abandone formalmente a luta armada.A facção política Fatah, principal rival do Hamas, informou que iniciativa catariana fracassou e culpou o Hamas pelo colapso das negociações, no mais recente revés aos esforços para que o grupo radical modere sua posição, atendendo às exigências para o fim de um boicote internacional à Autoridade Nacional Palestina (ANP).Ghazi Hamad, porta-voz do governo palestino liderado pelo Hamas, disse que o grupo continua engajado nas negociações, insistindo que "o caminho não está bloqueado".Hamad disse que o Hamas tem reservas com relação à parte da proposta que prevê um governo palestino de unidade nacional que reconheça o direito de existência de Israel. Ainda segundo ele, seu grupo não está pronto para entregar as armas, apesar de não promover mais ataques."Há diferença entre resistência (à ocupação) e terrorismo", justificou o porta-voz ao explicar a rejeição às exigências.Na segunda-feira, o Qatar apresentou aos palestinos uma proposta para solucionar a crise interna nos territórios. O governo catariano emergiu como um possível mediador para o impasse, uma vez que possui relações diplomáticas não plenas com Israel e mantém bons contatos com os líderes do Hamas no exílio.No Cairo, o ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, alertou aos palestinos que eles perderão uma grande oportunidade de paz se continuarem com o conflito interno."A situação palestina está sendo prejudicada pelas profundas divisões e pela violência. Isso é vergonhoso para os árabes e para os palestinos", disse Gheit, citado pelo jornal estatal Al-Ahram.Em março, doadores ocidentais cortaram centenas de milhões de dólares em repasses à ANP depois que o Hamas assumiu o governo. Dois meses antes, quando o Hamas venceu por ampla margem as eleições gerais nos territórios, Israel suspendeu o repasse de dezenas de milhões de dólares em impostos retidos nas aduanas palestinas.Antes de suspender o boicote econômico e político, os países ocidentais exigem que o governo liderado pelo Hamas reconheça Israel, entregue as armas e aceite os acordos provisórios de paz fechados entre o governo israelense e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).O ministro palestino da Informação, Youssef Rizka, acusa os EUA pelo impasse. Segundo ele, o governo americano, principal aliado de Israel, rejeitou o que ele chamou de "documento da reconciliação", numa referência ao plano formulado por integrantes do Hamas e da Fatah presos em Israel que reconhece implicitamente o direito de existência do Estado judeu.Segundo Rizka, o Hamas não aceitará exigências internacionais "que foram rejeitadas pelos eleitores palestinos nas últimas eleições".

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