Hamas reúne milhares de palestinos e diz que não sairá do poder

O grupo islâmico radical Hamas não será removido do governo nem reconhecerá Israel, avisou nesta sexta-feira o combativo primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniye durante uma manifestação pública realizada num estádio de Gaza.Ao mesmo tempo, ele convidou a facção política moderada Fatah a retomar às negociações para a formação de um governo de unidade nacional, mas rejeitou a mais recente sugestão para a realização dessa coalizão: um gabinete dominado por tecnocratas.A idéia de um governo composto dessa forma foi passada a dirigentes do Hamas como alternativa para a obtenção de apoio internacional e do fim de um boicote político e econômico que já dura sete meses."Há novos cenários sendo propostos, como um governo de emergência, um governo tecnocrata ou eleições antecipadas", disse Haniye a dezenas de milhares de simpatizantes."Todos esses cenários têm como pano de fundo apenas um objetivo: tirar o Hamas do governo", denunciou.Haniye reiterou que o Hamas está disposto a inserir mais partidos em seu governo, mas assegurou que o grupo radical islâmico não amenizará suas posições.Como condição para suspender os embargos ao Hamas, a comunidade internacional exige que o grupo radical renuncie à violência, reconheça o direito de existência de Israel e aceite acordos de paz assinados no passado entre o governo israelense e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP)."Nós faremos parte de todo e qualquer governo e continuaremos governando", assegurou. "Nós não reconheceremos Israel", prosseguiu.Negociações Haniye também pediu ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, que retorne a Gaza para que o Hamas e a moderada Fatah possam voltar a negociar a formação de uma coalizão de unidade nacional.As negociações entre os dois grupos ruíram no início da semana. Abbas acusou o Hamas de ter voltado atrás de um acordo anterior. Haniye, por sua vez, acusou a comunidade internacional de ter tentado impor sua vontade ao Hamas.Durante seu discurso, Haniye desmaiou por alguns segundos. Primeiro, algumas de suas palavras começaram a ficar confusas. Depois, ele parou de falar no meio de uma frase e caiu sobre assessores que estavam próximos dele no momento.Ele foi colocado numa cadeira e reanimado. Haniye, de 46 anos, jejuava no momento do discurso. Como todo muçulmano devoto, ele jejua durante o dia ao longo do mês sagrado do Ramadã. Fazia muito calor no momento do desmaio.Depois de alguns minutos, Haniye retomou o discurso. "O corpo pode estar cansado, mas nosso espírito não cansa. Não deixaremos de ser perseverantes", assegurou.MilharesDezenas de milhares de simpatizantes do movimento palestino Hamas se concentraram nesta sexta-feira na Faixa de Gaza, em uma demonstração de força frente ao Fatah. A concentração começou depois da oração de sexta-feira nas mesquitas, e seus organizadores pretendem advertir o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, sobre o poderio dos islamitas.Nos últimos dias, Abbas expressou seu pessimismo sobre as possibilidades de formar um Governo de união nacional entre o Fatah o Hamas. Pessoas próximas à Presidência não descartaram a possível convocação de eleições antecipadas como saída para a crise na ANP. Haniyeh advertiu Abbas de que seu partido está preparado para "qualquer opção", o que alguns analistas interpretaram como a ameaça de lançar um confronto armado contra o Fatah.

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