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Hamas tenta recuperar apoio com segregação de meninas

Pesquisa mostra perda de popularidade do grupo islâmico, que enfrenta a Fatah nas eleições municipais de outubro

Lourival Sant'Anna,

09 de abril de 2013 | 20h52

 O Parlamento dominado pelo Hamas na Faixa de Gaza aprovou uma lei que impõe a segregação das alunas em relação aos meninos e impede que professores homens deem aulas para meninas a partir de nove anos de idade. A lei, que entra em vigor no próximo ano letivo, em setembro, faz parte de um esforço do movimento islâmico Hamas de recuperar popularidade perdida nos últimos meses, na corrida para as eleições municipais de outubro, as primeiras nos territórios palestinos desde 2006.

Sondagem do Centro Palestino para Políticas e Pesquisas de Opinião (PSR), feita na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, mostra que o Hamas perdeu o apoio popular que havia angariado no conflito militar com Israel, no fim do ano passado. De acordo com a pesquisa trimestral, que ouve 1.270 palestinos nos dois territórios, se houvesse eleições presidenciais hoje, o primeiro-ministro da Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, do Hamas, teria 41% dos votos, perdendo para o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, da facção secularista Fatah, que ficaria com 52%. Em dezembro, dois meses depois do confronto com Israel, Haniyeh vencia Abbas por 48% a 45%.

No caso de eleições parlamentares, o Hamas teria 29% dos votos, ante 41% para o Fatah e 11% para outros partidos.  Esses números representam uma queda de 6 pontos porcentuais na popularidade dos deputados do Hamas, que teriam 35% em dezembro, tecnicamente empatado com o Fatah, que estava com 36% (a margem de erro é de 3 pontos porcentuais).

Nesses três meses, além do fim das hostilidades entre o Hamas e Israel,  houve a reeleição do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, a visita do presidente americano, Barack Obama, que se encontrou apenas com Abbas em Ramallah, e o surgimento de um novo movimento de resistência pacífica à expansão dos assentamentos judaicos, na forma de acampamentos nas áreas ocupadas.

Diante desse quadro, o Hamas busca diferenciar-se em relação ao seu rival mais moderado. O conflito de outubro, que matou 158 palestinos e 5 israelenses, foi um momento de diferenciação. O endurecimento do código islâmico é outro recurso de que o Hamas dispõe. Dirigentes do grupo disseram que a lei reforçaria a “identidade nacional palestina”, ao garantir a obediência aos preceitos da religião. Ao assumir o poder, em 2007, depois de expulsar, numa breve guerra civil, os militantes do Fatah da Faixa de Gaza, o Hamas impôs total bloqueio à entrada de bebidas alcoólicas no território. Toda bagagem que passa pelo posto de controle de Erez é revistada em busca de bebidas. Em contraste, florescem cafés de estilo ocidental em Ramallah, a capital da Cisjordânia, governada pelo Fatah.

Nos cafés de Gaza, moças e rapazes ficam em áreas separadas. Muitas mulheres – embora não todas – andam nas ruas com os cabelos cobertos. A população de Gaza é tradicionalmente mais conservadora que a da Cisjordânia. A segregação já era amplamente observada na rede pública e nas escolas mantidas pela Unesco, a agência das Nações Unidas para a infância e a adolescência. A mudança maior é para as escolas cristãs, que também estão sujeitas a ela.

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