Hamas toma mais um prédio do Fatah e se consolida em Gaza

Com a conquista do prédio do Serviço de Inteligência palestina, grupo islâmico tem agora dois dos quatro principais centros militares da faixa costeira sob seu comando

Agencia Estado

19 de junho de 2007 | 11h05

Combatentes do grupo islâmico Hamas capturaram o segundo dos quatro maiores centros de comando do partido laico Fatah na Cidade de Gaza nesta quinta-feira, 14, enfraquecendo ainda mais a figura do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Um pronunciamento de Abbas sobre a situação está previsto para a tarde desta quinta-feira.Segundo despacho da agência Associated Press, a bandeira verde do grupo islâmico já podia ser vista no telhado do prédio do Serviço de Inteligência. Mais cedo nesta quinta-feira, militantes do Hamas haviam capturado o prédio da Força de Segurança Preventiva. De acordo com testemunhas, um médico e membros do Fatah, vários militantes do partido laico foram tirados do prédio e executados com tiros na cabeça por homens do grupo rival."O que aconteceu hoje (quinta-feira) no QG da Segurança Preventiva foi a segunda libertação da Faixa de Gaza", disse o porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri à Reuters, referindo-se à retirada de tropas de Israel e colonos em 2005 como a primeira vez que uma ocupação no território teve fim."Desta vez, ela foi libertada de uma bando de colaboradores", declarou ele sobre o Fatah, que busca negociações de paz com Israel. "Da última vez, ela foi libertada de um bando de colonos."Com a manobra, o Hamas está próximo de consolidar seu domínio sobre as principais instalações militares do Fatah na Faixa de Gaza. Apenas o complexo presidencial e o quartel-general da Força de Segurança Nacional - ambos na Cidade de Gaza - continuam nas mãos de homens fiéis a Abbas. O presidente, entretanto, está em Ramallah, na Cisjordânia.Pressionado por partidários para que abandone o governo de união nacional estabelecido com o Hamas em março, Abbas tem poucas opções para contornar a crise que ameaça dividir o controle dos territórios palestinos entre o Hamas na Faixa de Gaza e o Fatah na Cisjordânia. Uma outra saída cogitada por assessores do presidente seria Abbas declarar estado de emergência e convocar novas eleições.Além dos dois complexos militares da Cidade de Gaza conquistados nesta quinta-feira, forças do Hamas já controlam a principal estrada que liga o sul ao norte da Faixa de Gaza, além de pontos estratégicos nas cidades de Rafah, Khan Younis, Beit Lahiya e Beit Hanoun. Em outros centros, a instrução passada pelo grupo islâmico é de que os militantes do Fatah abandonem seus postos até a noite de sexta-feira - caso contrário, seriam obrigados a fazê-lo a força. Dias de violênciaA violência entre os dois principais grupos palestinos chegou ao seu quinto dia nesta quinta-feira com um saldo de aproximadamente 80 mortos, segundo a BBC. Os combates marcam o pior momento na relação entre o Hamas e o Fatah desde que o grupo islâmico ganhou as eleições parlamentares palestinas em janeiro de 2006. A violência voltou a explodir depois de meses de relativa calma. Em março deste ano, os dois grupos rivais haviam concordado em dividir o poder com o objetivo de distender as tensões e dar legitimidade internacional ao governo palestino - Estados Unidos, Israel e União Européia não reconheciam o gabinete do Hamas por considerar o grupo uma organização terrorista. Para o analista de assuntos palestinos Danny Rubistein, ouvido pelo New York Times, a "primeira razão para os acontecimentos é o fato de o Fatah ter se recusado em compartilhar completamente os mecanismos de poder da Autoridade Nacional Palestina (ANP) com o Hamas, apesar da vitória decisiva do grupo islâmico em janeiro de 2006". "O Fatah foi forçado a rejeitar o voto dos palestinos por que o mundo inteiro demandou que fosse assim", acrescentou o analista. "A situação chegou a um ponto em que o Hamas se viu obrigado a tomar pela força o que eles acreditam ser um direito legítimo." Desde que o Hamas chegou ao poder, os Estados Unidos e Israel trabalharam para isolar e danificar a imagem do Hamas, dando reconhecimento e armamentos para o Fatah.O porta-voz Zuri, do Hamas, explica os objetivos da ação: "O Hamas não iniciou esse ataque. Fomos obrigados a fazê-lo para acabar com os crimes das facções de dentro do Fatah que planejavam um golpe." Ainda segundo Zuri, o grupo está "fazendo o trabalho que o Fatah falhou em fazer, de controlar esses grupos", a quem ele acusa de promover crimes, o caos e de colaborar com Israel e os Estados Unidos.

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