Haniye diz que deixa cargo em troca de ajuda humanitária

O premier palestino, Ismail Haniye, do grupo islâmico Hamas, disse nesta sexta-feira que aceitaria deixar seu cargo caso o ocidente levante as sanções econômicas impostas à Autoridade Palestina (AP) desde que o Hamas assumiu o poder. "Se o fim do bloqueio (da ajuda) depender da minha saída do cargo de premier, deixarei o bloqueio ser encerrado para acabar com o sofrimento do povo palestino", disse, em referência ao boicote à ajuda internacional que devastou a economia palestina. Suas declarações parecem ser outra indicação de que o Hamas e o partido rival Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, aproximam-se da formação de um governo unificado composto por experts independentes - acredita-se que a coalizão apresentaria uma face mais moderada à comunidade internacional. Haniye, líder de longa data do Hamas, disse aos que estavam em uma mesquita em Gaza que o ocidente o quer fora do governo. Na quinta-feira, Abbas falou por telefone com seu principal rival político, o líder supremo do Hamas, Khaled Mashhal. Esta é a primeira conversa entre ambos em meses. Segundo o porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum, a aproximação é uma prova de que os dois estão agora em acordo sobre o formato do novo governo. No entanto, as negociações, que se estenderam por semanas, falharam repetidas vezes, e uma nova retomada nas conversas pareceu possível. O bloqueio O ocidente e Israel retiveram centenas de milhões de dólares em ajuda e impostos recolhidos desde que o Hamas tomou o poder em março, em um esforço para pressionar o grupo a moderar sua violenta ideologia anti-Israel. As sanções impediram o Hamas de pagar uma grande parte dos salários de 165 mil funcionários do governo, causando um sofrimento generalizado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A comunidade internacional, inclusive os EUA, têm dito que não irão suspender as sanções a menos que o Hamas reconheça o Estado de Israel, renuncie à violência e aceite acordos de paz já firmados, o que o Hamas tem se recusado a fazer. Entretanto, o programa do um novo governo unificado é vago na questão-chave do reconhecimento de Israel. Israel Ainda na quinta-feira, o premier de Israel, Ehud Olmert, demonstrou arrependimento pelo ataque do Exército à cidade de Beit Hanoun, na quarta-feira, que resultou na morte de 19 civis, na maioria mulheres e crianças, e pediu por uma renovação imediata do contato entre ele e Abbas. Ao mesmo tempo, no entanto, Olmert afirmou que o exército continuaria a mirar em esquadrões de lançadores de mísseis em Gaza, apesar do risco de acertar civis. O número de mortos do ataque a Beit Hanoun aumentou para 19 após funcionários de um hospital israelense confirmarem que um dos feridos morreu. O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, ordenou aos militares que "reavaliem sua política de artilharia em Gaza", segundo declaração de seu ministério.

Agencia Estado,

10 Novembro 2006 | 12h35

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