Haniyeh analisará crise em sessão extraordinária

O governo islâmico do primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ismail Haniyeh, realizará neste domingo uma reunião de caráter extraordinário para analisar a grave crise dos últimos quatro dias em Gaza, quando 24 palestinos morreram.O porta-voz do governo, Ghazi Hamad, que fez o anúncio da reunião aos jornalistas, pediu ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, líder do movimento nacionalista Fatah, que intervenha para pôr fim aos choques que também feriram cerca de 70 pessoas.O deputado Yehia Moussa, do Hamas, afirmou que Abbas, que se encontra no vizinho Reino da Jordânia, "é o responsável pelas tensões e por todas as formas de golpe de Estado" para derrubar o governo de Haniyeh, numa alusão ao desejo do presidente palestino de antecipar as eleições gerais.O porta-voz do Fatah Ahmed Abdel Rahman, ex-secretário do governo presidido por Yasser Arafat, acusou os milicianos do Hamas pela deterioração da segurança e pela anarquia em Gaza."O movimento Hamas não acata as leis nem a democracia; chegou ao poder e agora faz o que lhe apetece", afirmou Abdel Rahman.A solução, acrescentou, é retomar o "diálogo nacional" entre Fatah e Hamas, e que "a chamada força executiva ou força auxiliar", formada por milicianos islâmicos e com 6 mil efetivos, "se integre aos organismos de segurança da ANP" em vez de operar paralelamente e sob controle exclusivo do Hamas.Ainda hoje, membros das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, facção armada ligada ao Fatah, seqüestraram cinco funcionários do Departamento de Educação do Governo da cidade de Nablus, na Cisjordânia, segundo fontes de segurança e testemunhas.Os milicianos dessa facção armada também atearam fogo ao segundo andar do edifício governamental em Nablus após seqüestrar os funcionários que trabalhavam em seu interior.Por sua parte, uma conhecida personalidade do Fatah, o coronel Ahmed Jibril, ex-comandante da Segurança Preventiva na Cisjordânia, disse à rádio pública israelense que "a crise é grave", mas que não acredita "que se trate de uma guerra civil"."A situação é ruim e não acho que tenha precedentes na sociedade palestina", comentou o veterano militar palestino. Para ele, nenhuma das facções palestinas deseja uma guerra fratricida, "só alguns extremistas loucos".O presidente da ANP, que fez um chamado à calma junto com o primeiro-ministro na madrugada de hoje, deve retornar ainda hoje a Ramala depois de visita à Jordânia, aonde chegou ontem após participar do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, e de visitar a Espanha.

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