Haniyeh seria derrotado por Abbas em Gaza

Num sinal do descontentamento da população da Faixa de Gaza com a gestão do Hamas, Ismail Haniyeh seria derrotado no território pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, por 51% a 44%. O presidente também venceria na Cisjordânia, que governa hoje, por 56% a 34%.

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2011 | 00h00

Se Israel desejasse uma derrota ainda mais contundente do Hamas, poderia soltar Marwan Barghouti, do Fatah, líder da intifada (levante palestino) preso desde 2002. Ele venceria Haniyeh por 61% a 33%. Nas eleições para o Parlamento, o Fatah teria 42% dos votos e o Hamas, 28%.

O Hamas obteve maioria absoluta nas últimas eleições parlamentares, em 2006, mas teve de formar governo com o Fatah, por causa da rejeição de Israel e da comunidade internacional ao grupo, apoiado pelo Irã e pela Síria, que não reconhece a existência do Estado judaico. Conflitos entre as duas facções na Faixa de Gaza em 2007 culminaram numa breve guerra civil e na expulsão do Fatah do território, que passou a ser governado apenas pelo Hamas. A reconciliação, mediada pelo Egito, e a formação de um governo de união nacional são considerados os passos necessários para a proclamação do Estado palestino, durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, seguida de eleições gerais em maio.

"A divisão aqui ia explodir na cara um do outro", analisou Helmi Araj, diretor do Centro para a Defesa da Liberdade e dos Direitos Civis, em recente entrevista ao Estado, em Ramallah.

"Ambos (Hamas e Fatah) haviam chegado a um beco sem saída", observou Mukhaimer Abu Sada, professor de Ciência Política da Universidade Al-Azhar, em Gaza. "O Hamas não conseguia mais resistir a Israel sem lhe fornecer pretexto para retaliar violentamente." O cientista político reconhece: "O Hamas perdeu popularidade, mas conseguiu governar durante quatro anos em circunstâncias difíceis. Apesar das guerras e do bloqueio, restabeleceu a ordem, manteve a vida cotidiana, com uma economia baseada no contrabando nos túneis, mas sobreviveu."

Ele lembra que, ao firmar o acordo com o Fatah, Khaled Meshaal, o líder máximo do Hamas, aceitou as fronteiras de Israel anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967, que excluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém (além das Colinas do Golan, tomadas da Síria); exatamente como o presidente americano, Barack Obama, faria alguns dias depois.

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