Hariri rejeita formar coalizão com candidato apoiado pelo Hezbollah

Premiê interino insiste que seus aliados não participarão de governo liderado pelos xiitas

Efe

24 de janeiro de 2011 | 11h19

BEIRUTE - O primeiro-ministro interino do Líbano, Saad Hariri, afirmou nesta segunda-feira, 24, que não participará de um possível governo formado por uma coalizão da oposição liderada pelo movimento xiita Hezbollah.

 

Hariri fez o anúncio em comunicado divulgado por sua assessoria de imprensa nesta segunda-feira, 24, antes de se reunir com o presidente Michel Suleiman, com quem faz consultas políticas para a formação de um novo gabinete.

 

No comunicado, Hariri afirmou que sua coalizão, que venceu as eleições parlamentares de 7 de junho de 2009, mantém sua candidatura para permanecer no cargo.

 

O anúncio do primeiro-ministro foi divulgado depois que o multimilionário e ex-premiê Najib Mikati se ofereceu para ocupar o posto, uma candidatura que parece contar com o apoio da coalizão liderada pelo Hezbollah.

 

Hariri, no entanto, negou que exista um "candidato por consenso" e insistiu que nem seu grupo político, nem seus aliados participarão em um governo liderado pelos radicais xiitas.

 

"Qualquer pessoa tem direito a apresentar sua candidatura ao posto de primeiro-ministro em conformidade com a Constituição e o jogo democrático, mas a candidatura de Hariri se mantém", declarou o comunicado.

 

"Não existe um candidato de consenso, há um, Saad Hariri, e outro apresentado pelas Forças do 8 de Março (grupo político de Mikati). A eleição agora é clara e sem ambiguidade", acrescentou a nota.

 

Ao apresentar sua candidatura, Mikati, que foi eleito deputado independente nas últimas eleições dentro da lista da coalizão liderada por Hariri, disse que era "moderado, consensual e centrista".

 

O presidente Michel Suleiman começou nesta segunda-feira suas consultas com os parlamentares para que nomeiem a pessoa que ocupará o cargo de primeiro-ministro. Por enquanto, já se reuniram com ele o presidente do Parlamento, Nabih Berri e Hariri.

 

Nesta terça-feira, ao final das consultas, será divulgado o novo ocupante do posto, que estará encarregado de formar um novo governo. A nova gestão, por sua vez, deve contar com o respaldo do Parlamento. De acordo com a lei libanesa, o gabinete Dee ser formado por representantes de todas as facções religiosas do país - xiitas, sunitas, druzos e cristãos.

 

A crise política no Líbano teve início quando a oposição, da qual o Hezbollah faz parte, deixou o gabinete de Hariri, tornando-o inconstitucional por não incluir membros xiitas. A decisão foi tomada pelo fato de Hariri não se opôs às investigações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assassinato de seu pai, Rafik Hariri, em 2005. Especula-se que o Hezbollah esteja ligado ao crime.

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