Hariri retorna ao Líbano e pede diálogo com o Hezbollah

Premiê interino tenta atrair facções ligadas ao grupo islâmico para a formação de um novo governo de união

, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

O primeiro-ministro interino do Líbano, Saad Hariri, disse ontem que o diálogo é o único caminho para acabar com a crise política do país. Foi o primeiro comentário público de Saad Hariri depois que a coalizão liderada pelo Hezbollah derrubou seu governo apoiado pelos ocidentais, na quarta-feira.

Segundo ele, "não existe nenhuma alternativa ao diálogo". Hariri retornou a Beirute na manhã de sexta-feira. A atual crise é o auge das tensões que há muito tempo tomam conta do Líbano, relacionadas à investigação sobre o assassinato, em 2005, do pai de Hariri, o ex-premiê Rafik Hariri, por um tribunal das Nações Unidas.

A expectativa é de que o tribunal apresentará uma acusação formal contra membros do Hezbollah, e muitos temem que isso possa reacender a violência no país assolado há décadas por guerras e conflitos internos.

Segundo o Hezbollah, o tribunal, com sede na Holanda, é uma conspiração de EUA e Israel e o grupo exige que Hariri rejeite as conclusões mesmo antes de serem publicadas. Mas Hariri recusa-se a deixar de cooperar com o tribunal. Hariri vem tentando obter apoio dos EUA, França e Turquia desde que os ministros aliados do grupo militante xiita renunciaram, causando a dissolução do governo.

Ele deve permanecer no cargo interinamente enquanto um novo governo é formado. Num esforço para acalmar as tensões, a embaixada dos EUA em Beirute, exortou todas as facções políticas a "permanecerem calmas e controladas neste momento crítico". O gabinete de Hariri não divulgou nenhum comunicado sobre as reuniões do premiê no exterior, informando apenas que ele retornou a Beirute e almoçou com o príncipe Albert II de Mônaco.

O premiê turco, Recep Tayyp Erdogan, horas depois de um encontro com Hariri, disse que consultaria as autoridades no Irã, Síria e Catar ontem para tentar encontrar uma solução para a crise, segundo informou a agência de notícias Anatólia. Longas negociações devem ser realizadas entre os blocos libaneses apoiados pelo Ocidente e a aliança liderada pelo Hezbollah,. Se fracassarem, o Líbano poderá ver o ressurgimento dos protestos de rua e da violência que já atormentaram o país no passado.

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