Hariri volta ao Líbano após governo ser derrubado

Hezbollah deixa gabinete e país mergulha em crise política; grupo radical quer premiê aliado

Associated Press

14 de janeiro de 2011 | 11h54

BEIRUTE - O primeiro-ministro interino do Líbano, Saad Hariri, retornou nesta sexta-feira, 14, ao país, dois dias depois de a oposição e o partido radical xiita Hezbollah deixarem a coalizão e derrubarem o governo, colocando o país em uma nova crise política.

 

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Hariri estava nos EUA, onde se encontrou com o presidente Barack Obama, quando seu governo caiu. Ele ainda passou por França e Turquia para buscar apoio. Ele foi apontado pelo presidente libanês, Michel Suleiman, para permanecer no cargo até que um novo líder seja escolhido. As consultas com os parlamentares começam na segunda-feira.

 

A decisão do Hezbollah de deixar o governo é uma represália à relutância do governo de Hariri em protestar contra as investigações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, pai do atual líder, em 2005.

 

Fontes ligadas ao tribunal da ONU e o próprio chefe do Hezbollah, Nassan Nasrallah, acreditam que membros do grupo radical serão indiciados por participação no crime. O Hezbollah nega envolvimento e afirma que o assassinato de Hariri, em um atentado a bomba, foi armação de Israel. O grupo ainda acusa Saad Hariri de ter cedido "às pressões do Ocidente".

 

O Hezbollah, apoiado pelo Irã e pela Síria, é atualmente a maior força militar do Líbano. O grupo também quer expandir seu poder político e por isso quer colocar um aliado no cargo de primeiro-ministro. Políticos vinculados ao grupo afirmam que seria inútil mater Hariri no poder, mas membros da coalizão governista afirmam que não há opção. O atual premiê tem grandes índices de popularidade.

 

A composição do governo libanês é sempre fruto de prolongadas negociações e é formado por 30 ministros. O atual bloco opositor é formado por xiitas e cristãos, enquanto o governista, do premiê Hariri, é composto por sunitas e cristãos radicais.

 

A lei libanesa prevê que todo governo deve incluir representantes de todas as religiões do país - xiitas. sunitas, druzos e cristãos. Com a saída da oposição e do Hezbollah, a coalizão torna-se ilegal, já que não tem representantes xiitas.

 

O Líbano é um Estado sectário, já que não existe maioria religiosa. Os cristãos, sunitas e xiitas representam aproximadamente um terço da população cada. Censos não são realizados, o que inviabiliza a determinação de números exatos.

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